Love Stock Market
All sentimental investments I made in life taught me that very promising romances are usually bull traps.
No commentsFreática
Minhas íris embotadas escondem uma menina dos olhos que sorri para o papel em branco. Perpetua-se meu silêncio: árido, inóspito e surpreendentemente confortável.
Se quiseres minha poesia, terás, primeiro, que encontrá-la nos lençóis da minha alma. E então, te dispores a cavar um poço.
3 commentsCriptografia
Na intenção negada,
uma vontade contida.
Nos reprimidos verbos,
interpretação e contexto.
No que não dizemos,
a poesia atrevida.
- Tatuei beijos
no corpo do meu subtexto.
Correspondência Violada
Querido Breno,
Andei lendo suas palavras e me senti na obrigação de lhe dizer que o mundo virtual é simplesmente, O Mundo. O muro caiu faz tempo. Resta-nos aceitar e falar sobre as nostalgias do tempo em que carregávamos no corpo uma paciência natural, sem percebermos que era ela um dom; um dom tão simples que não precisava de aprendizado, nem desenvolvimento, nem concentração.
Engano-me, de tempos em tempos, esperando que o correio me traga os artigos chineses de noventa e nove centavos que compro pelo Ebay.
Beijos,
Ana
1 commentCom lápis e borracha
Escrevi umas linhas. E elas eram tanta verdade que decidi que podia poupar as pessoas do incômodo de vê-las ditas.
Apaguei tudo e menti de levinho. Sem culpa nem ressentimento.
Menti com a cara mais lavada do mundo, para manter os eu amo de coração aquecido e aconchegadamente ignorantes.
1 commentSangria
Preciso depurar as loucuras que andam envenenando minha alegria. Sobra ímpeto, faltam as palavras.
Não chega a ser uma dor, mas é um contínuo desconforto.
Fico sempre refém das coisas que sinto e não sou capaz de traduzir.
1 commentUnion Square
Abriu as pesadas cortinas púrpura e a luz inundou o quarto com a atmosfera de uma Nova York primaveril. Ficamos ali abraçados muito juntos, olhando a praça de cima por longos minutos. Murmurei num suspiro que havia sido injusta com a Cidade. A Cidade era bela assim, iluminada. E as pessoas pareciam muito felizes banhadas pelo dourado pálido do sol de abril. Permanecemos sentados no parapeito ainda um pouco, fazendo planos como dois meninos que discutem o que vão ser quando crescer. Às vezes, ele fechava os olhos e com as mãos trêmulas passava os dedos pelos meus cabelos. Então dizia um eu te amo dolorido que doía nele e que doía também em mim. Eu segurava o choro pensando na fragilidade daquele instante; cada segundo a mais era também um segundo a menos.
Talvez, o grande amor fosse, no fundo, apenas aquilo: a mágica do momento. Somente o saber, ao acordar, que eu não havia roncado e que naquela noite ele não tinha tido pesadelos. Beijos lascivos sem escovar os dentes. Champanhe antes do café da manhã.
4 commentsEpílogo
Foi simples assim. Depois de toda minha prosa e tanta poesia, tudo acabou exatamente nas palavras que ele deveria ter escrito mas não escreveu. Eu esperei um, dois, três dias. Por fim, o silêncio consumiu últimos resquícios daquele sentimento já muito corroído e maculado pelo tempo. Eu ainda tentei salvar, eu ainda insisti em regar a planta seca, mas não deu. Morreu.
Curiosamente, ao constatar sua defunteza, não fiquei triste. Até disse para uns e outros que senti raiva, mas menti. Eu não sei o que eu senti. Acho que eu não senti nada.
Apenas desperdicei uns minutos olhando para ele. Depois juntei os fios de cabelo que cuidadosamente recolhi da minha cama e joguei na privada. Aí, passei suas camisas, dobrei suas cuecas. Empacotei as reminiscências daquele sonho cansativo e escrevi algo que era para ser um poema, mas não foi.
Despachei a trouxa. Deixei de ser trouxa. Dei a descarga no vaso e na minha alma.
Não havia outra saída. Alguém tinha invadido o silêncio que ele fez com a surpresa de vozes desconhecidas. Eu havia finalmente compreendido que amar um amor que me privava de ser amada não valia a pena.
O fim era o início de uma nova liberdade.
5 commentsDiálogos
- Nunca pensei que você fosse desse tipo que se importa com que os outro dizem.
- Eu só me importo quando eles têm razão.