Correspondência Violada
Márcio,
Que bom que você tem cuidado das nossas flores! Eu ando mesmo negligente demais com o nosso jardim. Tenho plantado metáforas noutros lugares nesse meu novo ofício de paisagista das palavras. Mas prometo que, qualquer hora, nos trago umas boas e novas…
Sabe qual foi problema, o porque das paredes fincadas, dos vidros fumê??? Aconteceu que anteontem eu percebi que as flores amarelas, muitas vezes crescem bem mais que as outras, e por mais que eu tenha muita vontade de pisoteá-las, continuo cuidando muito bem delas…Na minha incapacidade de podá-las, acabei optando por cortar os meus cabelos.
Aproveitemo-nos do ócio, nosso convidado, ele trouxe como mimo um pacotão de tempo. Podemos compor uma canção ou tentar pegar as carpas no tanque com as mãos. A gente podia fazer um bazar para vender o que não nos serve mais, o que acha? Às vezes sinto saudade da sessão Jerry Lewis nos domingos à tarde.
Ah, chame as meninas pra jantar. Tomamos Irish Coffee. Se você produzir um final de outono podemos, quem sabe, queimar alguma lenha aromática na lareira. E marshmellows. Eu faço panquecas e mousse de chocolate branco. E a gente pode brincar de mímica, assistir um Fellini ou filosofar bêbados sobre o nada até o amanhecer.
Chame as meninas, vai! Chame todo mundo. Destravei os rodízios das paredes. Quanto mais plena maior se torna a casa.
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