Correspondência Violada

Márcio,

preferia deixar só um bilhete dizendo fui ali e já volto, pois ali e já têm a distância e o tempo que deseja para mim, um pensamento. Talvez para você ali seja lá longe e para um outro alguém seja logo na esquina. Talvez para você minha ausência por um átimo seja o prenúncio de dias sem fim e para outrem um dar de ombros resignado: ela volta. E eu volto sim, para algum lugar que talvez seja aqui, talvez não. Quando a gente se larga surgem muitos pousos e razões para retornar e num dado momento a gente enxerga para onde, e porquê.

Querendo ou não deixamos uns pedacinhos em cada porto e sem saber se foram só partes da casca, lágrimas ou sementes.

Pensando bem, a minha ida não deixa de ser um retorno. A gente é que tem essa mania de tomar sempre o coração como ponto de partida.

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