Vergalhões
Quisera eu hoje
não a poética metalúrgica, operária.
Mas se fundiu meu sentimento
e eu o derramo em formas
e faço versos em escala.
Quisera eu hoje
não a caldeira ígnea no peito
mas a precisão do maçarico
a delicadeza da chama controlada.
Mas minha alma ebule em milhões de graus.
explosiva, descontrolada, superfície de sol.
Já fui ourives, eu sei.
já lapidei palavras, fiz poemas.
Eu já fiz arte, eu quase sei.
Mas belo dia o que era ouro virou lata
e aconteceu de tu levares minhas gemas.
© 2004, ana. All rights reserved.
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