No Deserto

Do horizonte me assombrava a luz laranja
Já não avistava da longa via reta, a morte
Mas me dizias: meu bem nós temos sorte!
Nessa vida tendo fé tudo se arranja.

Vi do calor, das sombras, muitas fugas
D’alma fundida, fustigada pelo sol apino
Surgiu-me doce a miragem de você menino
E no espelho meu rosto coberto pelas rugas.

Como pudeste agir assim, homem mesquinho?
De me fazer seguir sem conhecer bem o caminho?
De me guiar contigo para mundo onde não quero estar?

Onde mesmo vai chegar a nossa estrada?
Conduzirá ela ao amor? Levará ao mar?
Ou como nós ela também vai dar em nada?

© 2004, ana. All rights reserved.

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