Ao amor, em desagravo
Só morto me hás de trazer alento
No claustro do peito, sufocado.
Só uma vez que do meu leito desatado
Só na calma exaurida, pós-tormento.
És mentira quando afloras incontinente
És loucura quando zombas do meu penar
Me sugas a alma, muito e vorazmente
Que me desprezo se me vejo a desejar.
A guia, se na tua mão: o desconsolo.
O tempo, sob teu jugo, é desvario.
Sentimento meu, corrói sem dolo
Sentimento vil, induz o cio
És, amor, o Deus que, devota, eu nego
És, amor, o bem profano que desejo
E te vingas em corpos que não enxergo
E me desagravo em versos que lacrimejo:
Quero que morras antes, inda inocente
Seca semente. Não fecundado rebento.
Livre da culpa de ser. Ilibado
Afogado naquilo que me inunda por dentro.
© 2004, ana. All rights reserved.
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