Correspondência Violada
Minha alma não está mais aqui porém o corpo resiste ainda mais três dias. Aquelas palavras é que teimaram em partir mais cedo nessa minha atabalhoada ansiedade por novas histórias.
Nesses meus últimos momentos em casa, que é a casa de meus pais, quero ser-lhes companhia tentando amenizar-lhes as saudades que virão. Para pais somos sempre garotinhos, Márcio. E eles nos soltam os cabrestos sempre um tantinho incrédulos na nossa capacidade de voar.
Resolvi também decretar-me, por assim dizer, partida, porque meu coração estúpido almeja, em vão, a despedida dos amores tortos que eu coloquei na bagagem para pensar nos momentos em que eu duvidar da minha condição humana. Acho que nunca lhe segredei isso, mas há dias por lá, que a gente esquece que é gente e vira coisa.
E amor, ainda que errado, é capricho de pessoa…
Nos vemos depois do último compasso.
Beijos
Ana
PS: Comprei uma mochila pra carregar o livro que você me deu quando houver um banco livre, numa praça velha, numa outra língua, admirando primaveras.
© 2004, Ana Mangeon. All rights reserved.
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