Durante, depois.
Do olhar a conseqüência é o tato.
E lava é sangue, água é saliva.
É aguardente, desidrata.
E liberta a alma da carne e o corpo trepida:
é frágil, o invólucro.
As vaidades quebram,
desprendem-se os cacos
que invadem mas não ferem.
Não nos enxergamos nos espelhos.
Uma existência secular é esquecida,
e não precisamos premeditar o próximo segundo.
São texturas, cheiros, gostos,
sons, umidades, temperaturas.
Delícias e agruras.
Amores de perfídia que sucumbem ao êxtase
garantido pelo exaustivo ensaio -
conhecemos todos os caminhos-
Coreografamos orgasmos
e a pantomima embalada pelo silêncio seguinte:
a mão suave a passear pelos cabelos,
a face fazendo do peito, o ninho.
Sussurros, suspiros, afagos e sorrisos.
Mecanicismos que um dia confundimos com carinho.
© 2004 – 2009, Ana Mangeon. All rights reserved.
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