Ainda sobre a espera
Vou lhe dizer que sim, mas se lhe digo, digo por não mais querer sufocar sentimentos, nem os pequenos, nem os prescritos. E talvez um dia você me traga um buquê de girassóis frescos e alguma promessa de um verão ameno.
Eu vou lhe dizer que quero e aguardar somente um suspiro dominical de tédio, olhos úmidos de contentamento e filmes antigos que tenham canções bonitas.
Eu vou dizer: vem! E pode ser que, talvez, você venha sem malas pesadas nem memórias comprometidas com o passado. E poderemos construir algo do zero, ou do menos ou poderemos não construir nada e apenas nos acomodar sob o sol de algum entardecer, em algum gramado verde, em algum lugar do mundo.
Eu vou responder aos seus chamados quando você me chamar. E lhe chamarei todas as vezes que eu souber que você espera o meu chamado. Mas pode ser que não nos precisemos de sinais. Poderemos estar, tranqüilamente, caminhando lado a lado sem palavras.
Eu vou lhe aceitar ao perceber sua chegada e você há de chegar. E não vou precisar nem mesmo lhe abrir a porta, pois assim que você entrar perceberá que já estava. E assim, será a vida: sem planos mirabolantes, sem metas para o próximo ano e sem grandes decepções estacionárias.
Aí, somente então, transbordarei em cascatas de versos doces inaugurando um tempo de romantismos que nunca mais serão vãos.
© 2004, Ana Mangeon. All rights reserved.
No commentsNo comments yet. Be the first.
Leave a reply