Archive for January, 2005

Letra e Música

Sim, eu vou lhe amar
em cada verso.
O pensado, o espontâneo.
Eu vou lhe amar em cada estrofe
escrita à contra-gosto.

Eu vou lhe recitar em
praça pública.
Eu vou pregar o meu amor
Aos incrédulos, aos mal-amados
e aos corações de pouca fé.

Eu vou lhe amar na rima pobre
E na rima rara.
Dodecassilabicamente eu vou lhe amar.

Pode ser até mesmo
que eu cante por aí o meu amor.
A capella, desafinado
Sim, eu vou lhe amar
No canto semi-tonado.
Piano, andante, allegro
E com vibrato.

E quando na rouquidão
faltar-me a voz
porém não palavras,
eu vou lhe amar em braile.

Assim,
Só para a gente fazer poesia,
a dois.

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Dimmers

Eu fico e engulo as perguntas em silêncio. Não sei onde você vaga, mas respeito suas perdas de si olhando tediosamente a sua cara de poucos amigos pro mundo. Eu fico sem acreditar que você quer ficar, sem entender o porquê de você se propor estar.

Admiro muda as formas do seu rosto peculiar, mas não alcanço tampouco compreendo.

Vejo-me então pequenina recostada no seu peito, sob seu queixo, catando as migalhas de você que raras vezes escapam de sua boca contra sua vontade.

Eu fico e eu nem sei por que é que eu fico quando eu sei que o quanto você é capaz de se entregar, para mim há de ser sempre muito pouco.

Eu fico quase triste, quase serena. Na esperança que minhas enxaquecas amenizem na sua meia luz.

(Niterói 23/01/2005)

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Linguagens.

Por melhor que se vissem,
só se entendiam em braile.

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Instruções para me ganhar

Chegue como um furacão,
jogue a minha vida no chão
e depois me leve.

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Informações Irrelevantes

Sabe onde eu moro,
mas não lembra o meu nome.

Sabe o que interessa,
mas não lembra o que importa.

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Hipocrisia

Grito que quero mais
é que Diabo o carregue
enquanto penso em fazer com ele
coisas que até Deus duvida.

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