Cabíria
Já não sei onde está perdido
Ou encontrado
Ou se desastradamente esqueceu meu nome.
O mundo tem tantas esquinas…
Eu sei porque eu vi.
Com quantas putas delicadas como eu
Você já esbarrou por aí?
Ah sim, cega sou diante da luz
Tateio noites sem lua
E corpos sem pecado sem culpa
E faço, ocasionalmente, poemas
Que pretendem ser lágrimas…
Não sei se mais minhas ou mais suas.
Lembro-me vagamente de seus olhos
Por isso lhos invento nas segundas feiras
Quando o cinema é mais barato
E as mãos se permitem adolescer
E contentam-se com enlaçar de dedos
Onde estará você
Além de em mim?
Além de aí, onde não sei.
Onde se esconderá o homem
Que você é sem ser capaz de conceber.
E as promessas que você nunca me fez
Fui eu também que inventei?
Ou eu absorvi dos seus poros
Da sua saliva, ou das suas meias palavras.
E esse incondicional carinho?
A idéia, o verbo?
E a ação onde termina?
A mentira,
Quando, enfim, a contaremos?
Quem serão nossas testemunhas?
Ou serei eternamente, eu, sua Cabíria
Amando-lhe para sempre esse amor inventado
Jurando que foram as mil bocas que eu já beijei
Somente para que você se sentisse sempre beijado?
© 2005 – 2009, Ana Mangeon. All rights reserved.
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