Pigmentos
A tez da folha alva,
a superfície intacta,
pede as verdades.
Mas tão sincero, calas.
Surda então, não rogo pragas.
A língua amputada, não faz alarde
O poema é falso, é falsa a vontade
Vera ilusão a que em meu peito arde.
Na linha azul não corre a tinta
que não foi escrita, a palavra omissa
mas nos meus braços, também azuis,
são de vasos, traços.
O pulso forte que era antes enchente
acalma o ímpeto e desanima.
Arterial, o rio bravo. O corte, foz assassina.
Circulam em mim vestígios de um amor pálido:
minha pele branca, córregos de anilina.
© 2005, ana. All rights reserved.
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