Extrações

Vai dizer que nunca lhe ocorreu? Nem mesmo quando era pequenininho e ficava brincando com aquele dente pendendo na gengiva? Ou no caso daquele caco de unha remanescente de uma pisada de salto agulha? Ou um espinho encravado na carne do dedão da mão?

Sobrancelha rebelde crescendo entre os olhos? Um pentelho nascendo na celulite da coxa ou um fio branco espetado na divisão dos cabelos? Uma pinta preta ou uma verruga?

Um trevo de três folhas no seu canteiro de azaléias, uma costura começando a se desfazer? Um botão despregado, um cadarço de sapato?

Vai dizer que nunca teve nada que fosse ficando ali, incomodando discretamente, todo dia levando a loucura de mansinho, até que um dia você se revolta, fecha o olho e reza uma salve a rainha e arranca?

Então, foi isso.

Não dava mais para ver você ali colado no meu braço feito esparadrapo velho, aí, eu contei um, dois e três eu lhe arranquei de mim numa única puxada bem forte… Para sentir doer uma vez só.

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