Glasgow

Você mente, Ana. Não são os cigarros. É você quem respira compulsivamente esse ar, essa poluição, a fumaça de diesel e marijuana. Inspira e retém os odores, o curry, o suor de axilas, os desodorantes para o ambiente. Você traga o incenso das esquinas.

Você mente, Ana. Não é o tempero. É você que não se contenta com os sabores, os glacês , as batatas. Não, você tem que comer o asfalto, as muradas. Todos os cartazes de todos os bons concertos de jazz. De rock. De musica clássica. Você tem que se empapuçar de vitrines e livros. Todos os bufes ainda são pouco para sua fome antropófaga e você come 100 pessoas por segundo.

Você mente, Ana. Não é o álcool. Não, não é. O pensamento é que lhe entorpece quando você se permite transgredir e transgride.

Você mente, Ana. Descaradamente você mente. Desavergonhadamente você mente.

Você jura que a cidade lhe violenta mas eu sei que você goza.

( Turnberry 01/09/2005)

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