Outonal

Noites que terminam tarde, dias que terminam cedo. O vento. Dizem-me que logo chega o inverno, que eu devo comprar um guarda-chuva, luvas, um cachecol de lã boa. Estoque de vinhos e taças.

Mas eu só quero andar de shorts e rir dos pêlos eriçados, meus mamilos, os lábios púrpura. Tremer de frio, na falta de gozo. Na falta de mãos, ignorar as luvas.

Dizem-me que sem companhia, não se resiste ao inverno. Eu observo sem procurar. Quiçá? A solidão é fria.

Verdade seja dita: por melhor que seja o cobertor eu sempre fico com meus pés de fora.

Não resisto.
Compro-me meias

(Londres – 15/09/2005)

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