Ansiedade
A ansiedade de uma porta aberta por onde eu não saio e só o vento pegajoso aventura-se a entrar. Eu espero e as horas torturam vagarosas como os trinta segundos que, diz-se, precedem uma morte. Eu vejo imagens em slow-motion. E ouço vozes com ecos. Enxergo em tons de cinza. Ouço meu coração bater insistente dentro do peito. Tremo, suo. Respiro acelerado. Eu sonho impossibilidades de olhos abertos e lábios cerrados.
Algum som menor lhe anuncia e uma revolução se manifesta na minha alma que não sei que nome dar por não ser inventando ainda um nome que traduza a sensação de sentir-se feliz e morto de medo e paralisar com um sorriso tolo colado nos dentes, as mãos molhadas e frias e os joelhos se confrontando num tocar delicado de ossos. Um nome que defina num mesmo momento jóia, pavor, vontade, desprezo e gozo.
Você apressa o passo em minha direção. Cumprimenta-me. Beija-me a face.
(Pudesse eu, lhe roubava do seu corpo.)
Abraço-lhe longa e amorosamente na falta de palavras inteligíveis, neologismos possíveis.
© 2005, ana. All rights reserved.
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