Água Viva

Quando me joguei no mundo, amor,
Não buscava nem dinheiro, nem liberdade.
Não busca conhecimento.
Não buscava novidade.
Quando o mundo me chamou
-e eu fui-
eu fui procurar sua saudade.

Quando eu me joguei no mundo, amor,
Joguei-me a deriva no mar,
Para dar-lhe a chance de escolher me içar.
Mas uma corrente me puxou para longe
de seus anzóis e puçás.

Segui, feito água-viva.
Com meus tentáculos
bailando preguiçosos e delicados.
Flutuando sem raiz, trazida de volta.
Buscando suas pernas.
Canelas
onde me enroscar. Agarrar-me

E deixar-lhe
a queimadura profunda e inflamada
para que todos os unguentos do mundo
curem.

Um amor corrosivo, de longe, cultivado
que acaricie, beije a sua tez temperada.

Que abrase a sua pele, enlevado,
mas que arda só em mim.

(Revisto em 5/11/2011)

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