Conversa de Ratazana
Podia lhe dizer do fedor
Da Estrada. O gosto amargo
Das encruzilhadas. Dos chutes
que me jogam longe. Das pisadas
Que me cortam o rabo. E os sonhos.
Podia lhe falar da luz.
Dos letreiros. Da água
Dos bueiros. Da peste
Que me come o corpo. Da dor
Que me embota a alma. E o ânimo.
Mas do contrário,
Calo humilde. Talvez as vozes
Não lhe sejam claras. As avenidas
abrasem sua pele. Talvez a música não
afague seus tímpanos. E você não se veja
Descrito por seu próprio lixo.
Sim, a minha estrada é dura .
Mas vai alem do meu edredom.
Só quem declina da cama
Sabe que a linha do sonho é única
Porém longa.
E que as ratoeiras ficam burras
Se, de repente, a gente entende
que perdeu a fome.
© 2007, ana. All rights reserved.
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