Facebook de Katharina

Vejo as fotos de Katharina e meu coração se contrai. Ela tem um sorriso que eu não tenho e ele. Ela in a relationship. Eu sempre single. E todas aquelas tardes em que fumávamos maços inteiros de Mayfair mentolado e maldizíamos os amores de Platão para ela são, agora, uma Suíça ensolarada de verão enquanto para mim, uma São Paulo inerte de poluição e neblinas mornas.

Não foram raras as vezes que eu achei que Katharina era como eu. Entre almoços, passeios, cantorias e porres vexatórios, falávamos a língua de quem ama em sonho, falava ela dele, enquanto eu falava de você. Falávamos desses amores que não acontecem apesar de terem tudo para acontecer. Eu mostrava a ela suas mensagens, ela me contava coisas que a irmã dela deixava escapar. E a gente ia alimentando uma a ilusão da outra pela simples necessidade de acreditar que existe predestinação e que o bem amado,espera.

Trago em meu peito a grande culpa. Eu ouvia Katharina com descrença. Sorria para ela e apoiava, enquanto minha alma envenenada murmurava: coitada, ele não vem.

E assim foi, até que Fernando apareceu como em um conto de fada. E amou Katharina exatamente como ela havia sonhado ser amada. E um dia, os dois partiram. E os dois ficam lindos abraçados na fotografia, na fotografia estampada naquele site onde ela me deixou uma serie de mensagens nostálgicas e carinhosas. Onde ela me pergunta de você. Onde ela me pergunta de nós. Onde eu não sei responder. Onde digito e apago incessantemente as mesmas palavras.

Onde ela ainda vai me convidar para o casamento e lhe estender o convite.

E eu vou mentir para ela e para mim. E jurar por Deus que você ainda existe.

© 2007, ana. All rights reserved.

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