Escaladas

E lá no alto, o vento esfriando com o passar das horas, a grama úmida com cheiro de chá verde e a velha mania de tentar entender as sensações que me provocam o mundo. A agonia delicada de chegada ao ponto mais ao norte, ter que me decidir entre descer de volta ladeira abaixo encarrapitada nos meus rolimãs ou correr até me faltarem pernas e saltar, testando as asas que eu ainda tenho e nunca mais usei. Diante da iminência da aventura, pacificar-me na minha resignação e querer apenas sentar-me na beirinha do abismo, balançar meus pés descalços e desfolhar malmequeres de florações daninhas. Deleitar-me dessa paz de permanecer imóvel, de braços abertos, sem ter que dar notícias nem formular explicações. Simplesmente procrastinar sem culpa, tomada somente pela expectativa de primaveras críveis.

24/10/2007

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