Maria Mode [on]
Eu me dei conta que não limpava a casa há duas semanas quando vi o estado das minhas meias, depois da longa caminhada do quarto até o banheiro. Um metro bastou para que elas ficassem negras. Fiquei ali curtindo o longo xixi matinal e tomando coragem para fazer a limpeza. Sequei-me com o último pedaço de papel do rolo. Do último rolo. E este parágrafo é só para explicar porque eu resolvi ir ao supermercado. Ficar sem comida, tudo bem. Ficar sem papel higiênico, complica.
Como minha lista de compras não tinha mais de cinco itens e eu não estava com a menor vontade de voltar uma vez que eu tinha me encorajado a sair , fiquei lá no Carrefour, flanado. Observando o bicho gente na sua busca por alimento. Incrível como as fêmeas ficam poderosas no supermercado, especialmente quando estão com um companheiro. Dão ordens, falam ríspido. Fazem seus pares de capacho. Amor, deixa eu pegar seu iogurte. Gabriel eu já falei que não precisa! Carlinhos você é muito tapado! Esse é aquele arroz parborizado que tem cheiro de dobradinha quando cozinha.
Fiquei pensando, achando curioso. Lembrando do tanto de feminismo que rolou por debaixo dessa ponte até que eles se resignassem a seguir dois passos atrás, com cara de cão que revirou o canteiro, silenciosamente empurrando o carrinho cheio de coisas que nem mesmo gostam.
Imaginando o que diriam essas moças que queimaram os sutiãs, se como eu, se pegassem divagando se a jovem ruiva levanta a voz perguntando agressivamente “Luiz, você olhou a validade” só porque está com medo de ter diarréia. Ou, se sem se dar conta, ela está defendendo o seu espaço que os machos começaram a ocupar. Eles lavam a louça. Eles cozinham bem. Eles passam roupa, costuram meia furada e trocam fralda.
Então me ocorreu uma coisa:
Não fosse pelo sexo, acho que eles não precisariam mais de nós.
Maria Mode [off]
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