Outsider?
Trazidas pelas mãos magnânimas de um amigo, eis que a pouco menos de um ano eu desembarquei em São Paulo para trabalhar numa agência de propaganda online. O que eu sabia desse mundo? Necas. O que eu sei hoje? Provavelmente 0,001 do que eu poderia (deveria?) saber. Mas eu acho que estou começando a pegar o jeito da coisa. O curioso é que quanto mais eu me proponho a imergir nesse mundo, mas eu me sinto feito afogada.
Não é pelo trabalho em si e seus porquês – pela primeira vez na vida eu faço o que eu realmente gosto – mas por todo esse culto aos gadgets, às coisinhas fofas e fúteis e a todos os nomes que eu devia saber para conseguir manter o chit-chat e ser assim, um bocadinho mais cool. Como eu posso fazer parte se eu nunca sei o nome de nada, a data de nada? Se eu ando enjoada de tequila? Se me apavora ver minha conta no negativo? Se eu odeio os anos 80? Se sou eu quem faz a faxina na minha casa? Se eu não tenho nem Ipod ?Se às vezes me irrita essa pompa de nome-e-sobrenome?
Eu fico pensando, pensando. É um mundo que me oprime um pouco. Me cansa esse papo de quadrinho, vídeo game e Google o tempo todo. E eu me sinto péssima quando me vejo me inteirando pra poder participar de conversas que não me dão um pingo de tesão.
Mas o que me incomoda mais nesse mundo, é perceber que na maior parte do tempo eu não sei distinguir o que é simpatia sincera e do que é apenas networking.
© 2008, Ana Mangeon. All rights reserved.
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