Id
Não adianta. Chega uma hora que a energia esgota. Não a do corpo. Os olhos continuam abertos, indagando, procurando o que olhar e o coração alterna ritmos sem se lembrar que faz tempo que o carnaval terminou. Culpe o café, a Coca-Cola. Culpe minha essência e as substâncias.
A idéia nunca repousa. Ela fica se debatendo dentro do crânio, a idéia parece uma enxaqueca latejando compassadamente dentro da cabeça. Eu apago as luzes, ela vira pensamento. Eu fecho os olhos, ela aparece nos sonhos. Eu fecho janelas. Eu fecho cortinas. Eu me fecho, mas a idéia não me deixa.
A idéia às vezes se chama futuro, outras se chama romance. Quase sempre a idéia se chama eu. Tem dias que a idéia é um seixo de chumbo no estômago. Em outros é a ausência do ar nos pulmões.
Hoje a idéia é cansaço e regozijo. Desgosto e admiração. Tédio e sobrecarga. É saudade e resignação.
A idéia é a mão trêmula que não segura, o braço que afasta. A idéia não me deixa e eu não a deixo me deixar.
A idéia poderia ser palavra, verbo, verso, gesto, ato, pacto, luta, tato, faro, respiração e gozo. Mas não é.
E não há nada que eu possa fazer, pois a idéia está muito confortavel na sua forma de suspiro.
© 2008, Ana Mangeon. All rights reserved.
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