Arquivos de October, 2008
And soon…
Meu silêncio sussurra o amor que enrouqueceu minha voz.
5 commentsTwitadas
Frase do dia: Não existe namorado workaholic. Só namorado sem coragem de te dar um pé na bunda.
No commentsDoriana
Doriana alongou-se elevando os braços, depois inclinou-se para frente com os joelhos bem esticados e colocou as mãos próximas aos pés. A grama estava úmida do orvalho e cheirava a chá, e isso fez com que ela sorrisse e catasse uma pedrinha do chão.
A pedrinha , lançada num movimento de sua mão, quicou três vezes no espelho d’ água do lago, serelepe como criança miúda. Doriana inventou que ela afundaria devagar pois era uma pedrinha muito delicada . E a delicadeza nunca deveria sucumbir à qualquer força do universo, nem mesmo à gravidade dos corpos.
De olhos fechados, ela ia imaginando a pedrinha afundar como uma pena que plana displicentemente ao sabor do vento e o olhar extasiado dos peixes. Via as algas acariciando sua superfície, beijando sua pele clara polida pelos atritos da vida.
No pensamento da menina, a pedrinha repousaria para sempre num colchão de musgo macio, bem quietinha no fundo do lago, imersa em beleza, em silêncio. Alheia a todas as questões chatíssimas do mundo.
Fazia muito calor, o ar se movia em rajadas frescas e alegres brincando com fiapos do meu cabelo. Um cachorro, que não era meu, brincava com o cordão dos meus sapatos e fazer-lhe uma festa acabou sendo um descuido sem precedentes.
Impotente, eu ainda tentei agarrar Doriana pela barra da saia e avisar que às vezes a vida é água turva, que às vezes a vida é água fria.
Como se houvesse jeito de segurar alguém que decide mergulhar.
2 commentsSe a gente fosse um filme.
Seríamos qualquer David Lynch.
No commentsLauro
Sua presença era um souvenir de uma cidade bonita onde eu sei que nunca mais vou voltar.
No commentsCâmara Escura
Do filme velado
Revela-se, tranqüila,
a constatação:
Serei sempre aquela
Que tu desejas
jamais querendo.
Serás sempre aquilo
que não quero mais,
mas continuo desejando ao extremo.
Diálogos
Gil says: (1:51:07 PM)
conheces, Ana ?
Gil says: (1:51:12 PM)
o Teatro Mágico.
“Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar”
- Ai Gil, mas e quando a gente é Ana e também Mar? Lagoa, porém Menina?
3 commentsDHL
Ah, Breno…
Não sei bem se se fico triste ou feliz de que sua vinda seja passageira. Mas desejo que o sol da Bahia lhe colora a pele com a mesma intesidade das cores que percebo em suas frases tranquilas. Sei lá, acho que esse cara que me escreve não é mais aquele que beijava paredes. E sem café - aqueles de ontem e esses de hoje – eu nunca vou ter certeza. Não sei se fico feliz ou triste que você esteja de passagem porque não resolvi se prefiro a tangibilidade das xícaras ou a natureza aeriforme das palavras.
Tenho a impressão que estamos sentindo algo parecido e que nada tem a ver com a Cidade, seja ela qual for. Eu também sinto essa completude, essa posse de mim.
Não sei se fico feliz ou triste que ainda não seja dessa vez que vamos discutir as questões da alma com algumas doses de cachaça boa. Mas desejo que as Cidades tenham ainda muitas coreografias para lhe seduzir.
Beijinhos,
Ana
Ps: Quem sabe não tomamos um pint de Hooegarten no próximo verão?
5 commentsSedex 10
um sorriso brotou na minha cara quando eu li que você volta. Mesmo sem saber se essa era mais uma de suas ficções verdadeiras.
Espero você na Paulicéia. Não me esqueci que lhe devo um café.
Beijos
Ana
Marcha-ré
Ofereci a ele o livro onde, há anos atrás, tracei com Lumicolor o caminho que ele deveria seguir se quisesse me encontrar. Ele declinou com um risinho gracioso, e eu guardei o volume na bolsa, sem pesar e sem querer.
Estendi o livro, no caso dele ter alguma curiosidade. Acho que ele não tem.
Ele sabe que entender o passado é correr o risco de desejar dar marcha-ré. E nós dois sabemos que nossa história virou uma via de mão única. E sem saída.
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