Arquivos de November, 2008
Promessas Vãs
Onde está a sua mão
agora, que eu eu tenho medo?
Momento Gata Borralheira
Que mulher nunca se perguntou “What’s the matter with the men? What’s the matter with the men? What’s the matter with the men?” como as irmãs más de Cinderella nessa canção?
Jessica Molaskey – Stepsister’s Lament
Alguém sabe me responder?!!!!!
Isso também me lembra uma música muito tosca da década de 80.
(quando tudo mais já foi negado só resta rir, colocar muita força na peruca e ficar atenta a possibilidades de “baaaaaabaaaaaaacaaaaaas” novos!)
2 commentsDesmonte
Primeiro voam os sapatos e depois é só desatar o cordão do pescoço. Antes do sanduíche já comprado frio, o sutiã mesmo sem despir a blusa. Aí a fivelas libertando as mechas cativas de cabelo. O botão das calças. O preto dos olhos diluído em óleo Johnson’s. O engasgo afogado em Coca-Cola. A lágrima equilibrista pendendo nas pestanas lançada no ar no arrancar da camiseta.
A minha nudez solitária vagando pela casa morta, a me lembrar que esse súbito desejo de vida não passa de um sintoma de toda minha revolta.
1 commentMusa
Ela é feliz.
Ela lhe ama.
Ela vem de trem.
Vem sem bagagem,
não traz tristezas.
Seu nome é Dulce.
E ela é um verso de amor.
Velha Bossa.
Quem nunca amou, não merece ser amado.
1 commentLa Fata Ignorante
Eu tive o cuidado de salvar as palavras e fazer com que Mana lesse. Nesses momentos com cara de ponto final, ela costuma ser minha razão. Ela, como eu, acha que no fundo existe um sentimento maior por trás de tudo isso, mas não se ilude. Ela acha que ele tem medo, no fundo, ela acha que ele é um merda, mas torce para que um dia ele fique comigo porque ela acha triste desperdiçar um amor tão desapegado de tudo. Ela diz que quando estamos próximos todo o ambiente fica sutilmente melancólico e íntimo. E que fica com muita raiva porque é bonito. Eu entendo. No fundo ela quer que eu prove, torcendo para que eu faça cara feia depois.
Mana resumiu tudo numa frase curta: você já chegou no fundo do poço. Vê se toma impulso, e volta. Ela tem razão. Já são 9 anos em queda-livre, convenhamos que é hora de buscar fôlego. Vou fazê-lo Mana, prometo. E prometendo, finalmente, consigo segurar o choro.
Então toca o telefone, outra amiga me liga em solidariedade. É hora de esquecer, eu estou muito atrasada, já passou da hora faz anos! Ela também está certa.
(Eu que me acho sempre tão consciente das minhas fugas e das minhas mazelas preciso que me passem recibo da ingenuidade com que sempre vi essas coisas. Ele diz que me ama, mas ele quer dizer alguma outra coisa. Amor significa coisas diferentes pra nós dois e disso, ninguém tem culpa. A idéia do amor já brota passível de interpretações. E como a fada ignorante do filme italiano que eu não canso de ver, me pergunto: posso chiamare la mia pazienza “amore”? E respondo: forse, no.)
Então confabulando sobre as técnicas para disfarçar amanhã o pranto de hoje, de repente, eu descubro que já tinha um plano e nem tinha me dado conta. E isso me dá uma paz suficiente para terminar meu drink e essas palavras, e ir dormir, exausta de mim e de tudo isso.
Sonharei que dessa vez, o ponto final significará um fim. E que acordarei cheia de novas certezas.
Nono ciclo.
Compreender o ciclo deveria ser aceitá-lo. E aceitar deveria ser uma forma de sair da negação. Contudo, não. Compreender o ciclo torna-se apenas a dolorida ansiedade de esperar pelos altos durante os baixos, nada além. Eu sei o que vem depois. Já preparei o corretivo e os lenços estão sempre ao alcance da minha mão para quando eu não resistir e chorar. Os óculos escuros e as máscaras escondem meus olhos fechados, e por mais que pareça o contrário, confesso: eu tenho medo. Eu nunca sei onde termina a curva ascendente, onde começamos a despencar. Eu tenho pavor é daquele segundo inesperado em que caímos e estômago me toca na garganta fazendo-me perder o ar. Depois disso, tudo segue a programação normal. Nos ferimos, nos perdoamos. Nos afastamos para depois nos reaproximar.
Compreender o ciclo deveria ser saber como quebrá-lo e eu sei. Mas quando acontece de as pessoas, de repente, me acharem mais bonita sem saberem ao certo a razão, eu entendo que não estou pronta. Estranhamente, essa luz vem de você. De você que tem também o dom de me fazer anoitecer.
Os nós frágeis nessa linha que nos mantém ligados são os dessas horas em que nos pertencemos, mesmo sem posse. Eu não tenho coragem de desatá-los. Eu gosto de como eu sou quando gosto de você.
E na hora que nos virarmos, novamente, as costas e caminharmos em direção oposta, eu vou estar confusa demais para compreender o engenho das amarras. Fraca demais para romper com os dentes, as cordas.
Estou apegada à minha negação – isso eu não nego. É que eu não preciso de uma lucidez que não me faça feliz como inventar você me faz.
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