Nono ciclo.
Compreender o ciclo deveria ser aceitá-lo. E aceitar deveria ser uma forma de sair da negação. Contudo, não. Compreender o ciclo torna-se apenas a dolorida ansiedade de esperar pelos altos durante os baixos, nada além. Eu sei o que vem depois. Já preparei o corretivo e os lenços estão sempre ao alcance da minha mão para quando eu não resistir e chorar. Os óculos escuros e as máscaras escondem meus olhos fechados, e por mais que pareça o contrário, confesso: eu tenho medo. Eu nunca sei onde termina a curva ascendente, onde começamos a despencar. Eu tenho pavor é daquele segundo inesperado em que caímos e estômago me toca na garganta fazendo-me perder o ar. Depois disso, tudo segue a programação normal. Nos ferimos, nos perdoamos. Nos afastamos para depois nos reaproximar.
Compreender o ciclo deveria ser saber como quebrá-lo e eu sei. Mas quando acontece de as pessoas, de repente, me acharem mais bonita sem saberem ao certo a razão, eu entendo que não estou pronta. Estranhamente, essa luz vem de você. De você que tem também o dom de me fazer anoitecer.
Os nós frágeis nessa linha que nos mantém ligados são os dessas horas em que nos pertencemos, mesmo sem posse. Eu não tenho coragem de desatá-los. Eu gosto de como eu sou quando gosto de você.
E na hora que nos virarmos, novamente, as costas e caminharmos em direção oposta, eu vou estar confusa demais para compreender o engenho das amarras. Fraca demais para romper com os dentes, as cordas.
Estou apegada à minha negação – isso eu não nego. É que eu não preciso de uma lucidez que não me faça feliz como inventar você me faz.
© 2008, ana. All rights reserved.
2 disseram2 Comments so far
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Cara…
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Realidades paralelas, inconsciente coletivo, karma, mundo das idéias, prateleira das poesias, seja o nome q for, mas essas coisas me assustam demais! Como alguém q eu nunca vi na vida, q leva uma vida totalmente diferente da minha, q tem uma história diferente, consegue dizer em palavras tudo, tudo, tudo, TUDO q eu sinto?
Kct.
Vc é boa demais com essas rebeldes chamadas palavras, Miss Ana.
Acontece.