Arquivos de December, 2008
Deja vu
Provérbios errados
Nós, que o tempo todo fomos um turbilhão de palavras, silenciamos numa mudez funesta e torturante. E não era que não houvesse mais nada a ser dito, porque de nós nos sabíamos muito pouco e faltava-nos ainda muitas prosas, muito discurso.
Mas aconteceu que se fez preciso que provássemos que nem sempre há consentimento na voz que cala, e foi então que inaugurou-se um tempo de silêncios sem retorno.
Mar, 2003
1 commentAres Mornos
Perguntei se havia algum jeito de não me sentir derrotada, e ela me disse que não, pelo menos não no que diz respeito a ele.
Então eu respirei profundamente, retive o ar por uns dois segundos e me dei conta que a gente sempre faz uma espécie de suspense antes de se desmanchar em suspiros.
Não sei…talvez, inconscientemente, achemos que vamos segurar melhor o tranco contraindo o abdômen e respirando pelo diafragma…
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Decisão de ano novo n.138 – Investir em relações minimalistas. A little less information para todos nós em 2009.
No commentsSobre as Decisões de Ano Novo.
Cara, não tem jeito. A gente sempre faz a listinha. Ainda que a gente não escreva, não conte para ninguém, ainda que a gente jure de pés juntos que não rola, não tem quem não faça. A minha eu comecei a planejar acho que no final de Outubro e a colocar em prática no meio de Novembro. Decisão de Ano Novo que começa em primeiro de Janeiro é como dieta iniciada na segunda-feira: nunca dura mais que uma semana.
1- Corpo e mente
Acho que 2009 começou quando o Cyber me trouxe um Nike+. Não é que o bagulhinho faça nenhum milagre, mas o fato de que ele vai me dizendo quanto falta pra eu terminar minha meta funciona como apoio moral. É quase o Milli Vanilli (meu treinador lá da academia onde eu malhava quando morava em Londres) gritando no meu ouvido “Go, lady, go! Ignore the pain!!!”. Óbvio que a coisa do correr tem a ver com estética, mas tem também com gastar a energia acumulada que sempre acaba virando paranóia (não posso parar que se eu paro eu penso e se eu penso eu choro). Ou seja, emagreço e economizo com terapia.
2 – Alma
Chorar menos (só não digo não chorar porque é impossível. Sou uma Drama Queen incorrígível.). Outra decisão para 2009 que eu já comecei a colocar em prática. Meu segredo para parar de chorar foi desligar a fonte. Doeu? Siiiiiiiim. Mas doeu (ok, ainda está doendo) muito uma vez só. Junto com essa decisão veio a do “primeiro eu”. Passei a minha vida inteira sendo feita de besta por ter uma vocação cagada pra Madre Tereza. Foi mal aí, gente… não quero mesmo ser canonizada. Se for escolha minha, não sou eu quem vai se foder. Sorry ma frends, não contem comigo para mover suas montanhas, nem pra ouvir muito do seu mimimi. Pouparei vocês do meu mimimi também – ou, pelo menos, tentarei bravamente.
3- Trabalho
Foco. Isso eu não consegui começar ainda. Passei a última semana correndo atrás do meu rabo quando devia ter produzido mais. Janeiro vai ser loucura na agência, mas eu estou extremamente animada, na verdade, aproveitei até a chuvarada e a ressaca do vinho do Natal pra ficar com o note no colo e pesquisar umas referências. Se teve uma coisa que deu certo em 2008, foi o profissional. Agora, é daí pra melhor. Pois é, otimismo no úrtimo!
4- Amor
Fecho com Cazuza e desencavo a musiquinha antiga: solidão, que nada! Um dos meus bordões de 2008 foi “eu não tenho namorado porque eu faço amigos”. Portanto, amigos dos amigos, atenção! Vocês são meu target! Essa mania de ficar afim de amigo nunca deu certo e nunca deu em nada além de nóia, drs infinitos e alguém saindo magoado. Chega de ser a outra, a bota, o estepe, o friendly-fuck. Quero novidade. Quero passear de mão dada.
5- Movimento
É um tanto angustiante essa sensação de ver as raízes entrando no chão. São Paulo já não me atordoa. Eu me sinto turista no Rio. Eu já disse com todas as letras para algumas pessoas que não vou mais embora. Então, em 2009 quero tirar férias pela primeira vez em 10 anos e viajar com esse descompromisso de quem vai com passagem de volta, câmera no pescoço e volta reclamando da fatura do cartão de crédito.
6- Amigos
Acho que essa é a decisão mais séria: não negligenciar os amigos queridos que nunca faltam, nunca falham e sempre me perdoam pelas minhas ausências. Eu fui uma bruxa horrorosa com esses em 2008 e fiquei paparicando um monte de gente que não merecia paparico. Me sinto culpada, mesmo. Hoje a noite já começo a resolver isso.
Pronto, tá feito. Como a palavra escrita o vento não leva, tá aí meu manifesto para mim mesma, no caso de em algum momento eu me esquecer.
Feliz Ano Novo para todos nós, folks!
3 commentsUngüentos Trapaceiros
Não dá pra evitar a dor e, puta que pariu, está doendo que nem uma morte. Dói mais que corte de papel sulfite. Mais que sinusite no pouso do avião. Mais que tratamento de canal. Mais que cólica de menstruação.
Não dá para evitar a dor. E não dá para esquecer a dor. O que me resta e conviver com ela. Acordar com ela e lhe fazer o café. Dar-lhe a mão e levá-la para passear. Ver com os olhos dela. Sentir os gostos que sua língua sente. Fundir-me com ela até que, tão confusa, ela se perca em mim e acabe sufocada no meu peito.
Desisitir é dor aguda. É caimbra ao nadar em água profunda. É mais intensa que a pior das enxaquecas.
É algo que se perde, sem talvez nunca ter tido. É algo que liberto, sem nunca ter represado. São os engulhos secos de um espírito faminto.
E o conforto de saber que se castiga, não me mata.
4 commentsTwitadas
“Eu te amo” é uma frase que demanda responsabilidade.
No commentsTwitadas
Tenho verdadeira simpatia por pessoas que andam por aí falando com seus botões.
No commentsA Rosa Desmaiada
Respiro memórias tristes.
Evito olhares, tapo os ouvidos.
Embriago-me com magias líquidas
e outros alcoóis paliativos.
Escapo pelas tangentes.
Plano pelas escadas
e escorrego entre seus dedos.
Testo o fio de minhas farpas
desafiando a agudez dos seus espinhos.
Penando, como perdida alma,
vagueio pelas horas frágeis
e desbravo corações vazios.
Mato, morta de pena.
E me sinto plena:
mais de mágoa que de mim.
Eu sou assim:
Loquaz, mesmo jazendo muda.
Enorme, mesmo que tão pequena.
Inerte, mesmo que em dor aguda
Louca, a esmaecer serena.
(bg sound: Granada – da trilha de Vicky, Cristina, Barcelona. Cortesia do Geo)
3 commentsVerão
O ar invasivo dilata os poros. O suor brota nas têmporas, passeando pela nuca. Contorna as saboneteiras e sublima antes de morrer no vale do entre-peitos. O problema é a estação e suas texturas. Suas cores e cheiros fortes. Sejamos justos; não precisa nem mar, nem canela. Não precisa os cravos nem as pétalas de girassol. A temperatura sobe naturalmente. Então corpo fraqueja e se entrega quando o sangue ebule.
Não existe fuga. Ninguém pode escapar. Não adianta se esconder ou se furtar. A reação já começou. De agora, todas as luas serão de Lúcia e todas as noites serão do Boto. Até que os vapores tóxicos se dissipem e os corpos ávidos novamente se recolham em hibernação.
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