Pensamentos desconexos
Vai ser difícil escrever como antes. Não que não exista a vontade, mas me falta o ímpeto. Ainda sou aprediz na arte de falar dos outros, do inexistente, do corpo pra fora. Eu sempre fui ágil com as metáforas mas nunca fui boa com a imaginação. Não houve uma só palavra que não fosse um sentimento meu verdadeiro e pungente sob as cores de outros nomes.
Trabalhar a palavra tem sido um exercício estranho. Olho meus textos e não me vejo. Leio e releio o poema sobre o desenho lindo de meu amigo e acho incrível. Contudo, não parecem versos meus. Minha palavra ficou aguda, ficou veloz. Minha palavra impele a agir. Pouco a pouco me estou tornando capaz de dizer sem precisar significar.
(Qual a importância do significado quando quase ninguém está preocupado em compreender, afinal?)
As palavras, lentamente, se vão tornando um meio quando sempre haviam sido um fim. Não sei se finalmente as domino ou se, exausta, sucumbo a sua força.
Minhas palavras são eficientes, são eficazes. Elas convencem. Elas produzem. Minhas palavras vendem. Elas me garantem uma sobrevivência afável ao custo de perder um tanto de sua vida.
Leio-me e me releio. Minhas palavras não me comovem. A escrita que antes era a verve caótica flue organizadamente pelo papel e não é que não tenha lá sua graça, ela tem. Mas falta uma qualquer coisa que eu não sei bem se escondi de um jeito que não consigo acessar ou se num descuido, se perdeu.
O curioso é que isso em vez de me atormentar, me deixa em paz.
© 2009, ana. All rights reserved.
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eu acho que a palavra nunca é sincera. a gente tem ilusões com essa cretina chamada palavra. damos concretude a ela e ela nos tira a nossa.
Quem sabe qdo a preguiça de sentir se for, qdo o coração, o corpo e a mente abrirem espaço, não volte a transbordar sentimento em palavras? Elas fazem falta, moça. Muita. Mas pensar nisso já é egoísmo meu… : ) E que essa paz esteja mais para um “estado de graça” que para um simples cansaço.
um beijo e um lírio amarelo para ti