Coletânea de Pensamentos Desconexos

Todos os pronomes são eu;

Arquivos de March, 2009

Ella

Eu a venero
pela sua força.
Eu a julgo,
porque me assemelho

Infante na lida,
errante na vida.

Ella é comum
diante do espelho.

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Twitadas

Everyday we meet beings, people and humans. The challenge is to quickly recognize who’s who.

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Twitadas

People should have a “Mute” button. And a “Menu” button. And a “Sleep” button.

People should have all the buttons which could make them no longer people.

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Menos uma

Difícil resistir e não embrenhar minha mão insone nos cabelos fartos e muito finos. Não passar longos minutos desvendando suas têmporas e ângulos com a ponta dos dedos tentando inutilmente ler seus pensamentos em braile. Ele permanecia inerte. Não sei… Faltava-lhe aquele abandono de quem dorme, faltava o ressonar. Faltava a babulência de quem se entrega e afunda pesadamente no travesseiro. Acho pouco provável que dormisse.

Beijei então delicadamente sua nuca uma, algumas vezes. E ele permaneceu ali, imóvel, com o rosto girado para a parede ignorando os sinais que seus poros e pêlos eriçados me mandavam. Então, lembrei-me algumas de conversas e de histórias. E achei por bem de ir-me embora. De alguma forma, já havíamos, há tempos, concordado que são mesmo muito complicadas as pantomimas do dia seguinte.

Fui me vestindo, desfigurando trilha deixada pelas peças de roupa espalhadas pela casa. Limpei do chão, a cerveja que no calor no momento não percebemos derramar. Deixei um bilhetinho que eu espero que ele tenha lido com tom delicado. Tentei não fazer barulho demais ao abrir a porta.

Saí de sua casa me sentindo uma a mais. Entrei no elevador me sentindo menos uma.

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Candle light

Não é fácil lavar as mãos e resistir à vontade de ampará-lo ao perceber a iminência do tropeço. Não é fácil me convencer de que o que eu podia ter dito eu já disse e o que eu podia ter feito, eu já fiz.  Incomoda enxergá-lo cru, despido de todas as alegorias: quem era príncipe, no final, não passava de  mais um moço confuso e terrívelmente falível.

Todos os dias, descubro nele uma nova fraqueza como ser humano. Por vezes eu as pontuo, mas na maior parte do tempo só suspiro. Eu sinto culpa em me omitir, mas me omito. Eu quero cuidar, eu quero sacodir e eu quero guiar mas minhas cicatrizes me impedem. Nem mesmo minha vocação humanitária supera o tamanho do meu desencanto. É que aquela admiração incondicional deu lugar ao fatalismo. E transformou-se em profunda preguiça o que antes era paixão das mais dedicadas.

Preocupo-me, legitimamente me preocupo.

E foi por isso que fiz tudo que me cabia fazer: acendi uma vela amarela e pedi aos Deuses pra lhe trazerem paz.

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