Fluido
São muitos os trânsitos e infinitos os sumidouros. Fica impossível negar que já chego de passagem. Dizer olá é sempre até mais ver. Minha natureza se traduz nessa necessidade de movimento. Eu fluo.
Por isso tanta ansiedade em lhe dizer para se jogar. Ao menor ragateio você pode perder minha passagem. Um atraso e eu já fui. Não faço por mal: eu simplesmente não controlo o fluxo. Por vezes, ele é o gordo volume de uma cabeceira inundada. Outras a transparência de um córrego finíssimo e frenético. Não importa; o movimento é sempre veloz e não permite distrações.
Eu não quero mais a canção melancólica dos desencontros. Eu quero parar. Eu quero um dique, uma barragem.
Eu quero empoçar n’algum lugar e ser todos os dias a amorosa fonte para um coração que sinta sempre muita sede.
© 2009, Ana Mangeon. All rights reserved.
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adorei. que seja atentido o seu pedido, anita.
O triste é quando a gente sabe que nem o dique, nem a barragem, poderiam nos fazer felizes também.
Desse mal, eu não sofro.
As vzs, quando menos se espera, o clima muda, o ar fica mais úmido, chove mais que o esperado naquela estação, e poças brotam das mais secas erosões. Agradeço à chuva.
Hoje.