Releituras

A mensagem me perguntava sobre os poemas antigos, aqueles, bem velhinhos. Achei que estavam todos aqui, mas não. Eu havia empurrado um bocado do nosso passado para baixo do tapete provavelmente em um dos meus surtos vãos de querer lhe esquecer. O curioso é que embora eu nunca tenha lhe esquecido, acabei abstraindo uns poemas bonitos que lhe escrevi, o que me fez pensar se em algum momento eu não teria, na minha teimosia em não me desapegar de você, me esquecido um tanto de mim.

Fui relendo meio absorta, um a um. Em voz alta. Fui comungando com aquele amor que eu não consigo mais reconhecer. Não me entenda mal, eu ainda te amo. Mas trata-se de um outro amor, um amor comedido que eu ainda estou aprendendo a amar.

(“I will buy flowers myself”. Nesses momentos, Mrs Dalloway sempre me vem à mente.)

Fiquei ruminando aquelas palavras, revisando com o cuidado de não desvirtuar o sentimento antigo com respingos dessa outra Ana nova com quem você parece lidar muito bem. Ou com quem você simplesmente não precisa lidar.

(Romantismo bobo o meu. Podemos intuir coisas um do outro, mas a verdade é que mal acabamos de nos conhecer.)

No processo de nos embalsamar naquele versos, me dei conta que apesar dos últimos eventos eu não tinha lhe escrito nem mesmo uma palavra – atingimos finalmente o nível do diálogo. Não precisamos mais de criptografia porque nos tornamos adultos; provavelmente dois chatos.

(Crescer roubou-me a graça dos sentimentos que transbordam, acho. Estar só ficou suportável porque tem seus prós. Não ter você ficou confortável porque você tem contras. Estar apaixonada ou não acabou virando ponto de vista. Não só por você, mas por tudo.)

E com os dedos passeando desconfortavelmente pelo teclado nessa tentativa de mostrar que ainda há espaço para você na minha prosa – há? – ocorreu-me uma coisa: talvez as várias pessoas que já me disseram que parecemos irmãos tenham lá sua razão…

Peço sim sua presença porque sinto algo que eu chamo de saudade, mas não sei bem se é isso. É uma mistura de curiosidade com conforto. Como eu lhe disse, eu passo a borracha e começo tudo de novo. Eu não sei mais para quem eu escrevi aqueles poemas. Eu não sei mais quem os escreveu.

(Quanto desespero naqueles versos!)

Peço sua presença somente para que você saiba que ela será sempre bem vinda da forma que for. Não precisamos mais de agenda, local, um filme, uma música…de todos aqueles rituais que no fundo nunca fizeram nenhum sentido. Eu não tenho mais aquela ansiedade; não se sinta nunca na obrigação.

Mas por favor, toda vez que tiver vontade, me surpreenda.

© 2009, ana. All rights reserved.

3 disseram

3 Comments so far

  1. Deborah August 18th, 2009 4:12 pm

    Oi…

    Posso copiar esse texto e colocar no meu blog? Acho que se encaixa bem. Prometo colocar o seu nome… rs

    Se quiser ir lá pra ver… http://euprecisotefalar.blogspot.com/

    Ainda em construção. De tudo. Ainda tentando acertar o tom… rs
    :D

  2. Deborah August 20th, 2009 12:51 pm

    Oi oi… coloquei lá. Obrigada!!! :D

  3. raquel August 26th, 2009 6:56 pm

    eu sempre fico sem palavras quando te leio.

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