Insônia

O problema é a memória adoçada pela vontade; todas as palavras displicentes que acabam convertidas pelo sonho em madrigais.

O problema é a saudade e a incapacidade de simplesmente arrancar do peito um amor cultivado na impossibilidade; é continuar escutando as coisas que já foram ditas reverberando pelo cômodos.

O problema é a edição das imagens, manipuladas com intenção de fazer tudo parecer possível e romântico; a última cena, o close up imaginário do peito do seu pé repousando tranquilo na curva da sola do meu.

O problema em acordar no meio da noite é o pensamento a me arrebatar com essa consciência da sua ausência perene, disfarçada de iminência de presença.

- Eu sei que eu não devia, mas eu continuo lhe esperando.

© 2009, ana. All rights reserved.

4 disseram

4 Comments so far

  1. Cléo September 24th, 2009 2:43 pm

    Nossa, como eu poderia ter escrito isso.

  2. Nadynne September 24th, 2009 10:06 pm

    Ana, eu tenho medo de você. Na boa, de verdade. Cara, é bizarramente como me sinto. Tô bege.

    Aplausos pra você, moça. De pé. Aplausos por conseguir transformar em palavras sentimentos que muitas vezes são universais – mas que só a particularidade dos poetas pode tratar como tal.

  3. Elton September 28th, 2009 12:02 am

    Belo texto, aplausos meus tbém

  4. embaixodaquelaarvore November 9th, 2009 11:18 am

    Há tempos vinha segurando um choro muito intenso. Há tempos evitava deixar florescer minha tristeza e angústia. Há tempos vinha me escondendo embaixo de um escudo, de uma aparência de super-heroína – forte, inabalável. Há tempos tinha vontade de chorar, mas não conseguia – reprimia minhas emoções mais sinceras. Como posso te agradecer por esse texto? Por esse alívio que senti ao lê-lo? Chorei do início ao fim! Obrigada.

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