Graham St. Station – 2:31 p.m
É curioso pois estar fora traz a sensação de poder-se recomeçar do zero e do zero ser exatamente o ponto onde eu estou – sem retrocessos nem remorsos, portanto. Sinto-me reiniciando apesar da certeza do meu retorno. Não há dúvidas de que eu volto na data combinada mas, ainda assim, vez ou outra me corre um daqueles arrepios na espinha que me acometem toda vez que algo inesperado está prestes a acontecer e mudar completamente o rumo tranquilo das coisas já encaminhadas na minha vida. Não sei se é destino ou maldição, mas eu nunca resisto aos atalhos. Eu não respeito as portas marcadas com “staff only”. Haverá qualquer surpresa me aguardando em casa? Levarei a surpresa na bagagem? Não sei. Apenas sinto em minha alma sua iminência e me concentro em controlar as expectativas. As expectativas têm um poder malígno de arruinar os gracejos do destino e o ser humano tem essa vocação natural para a decepção. Decepciono-me com frequência, por isso evito as expectativas; para amenizar os revezes da minha humanidade.
© 2009 – 2010, Ana Mangeon. All rights reserved.
7 comments7 Comments so far
Leave a reply
As vezes tenho medo das coisas que escreve. Por serem bem parecidas com coisas que penso. Mesmo vivendo situações tão diferentes. Enfim: feliz ano novo e beijo pra ti.
Pôrra, pára de reclamar, mulher!
Vai encher a lata, falar besteira com os amigos, sair com alguém, dar uma bela trepada e tomar um senhor café da manhã.
Você tem um argumento irritante, de gente que não tem colhões de investir nos próprios sonhos.
De que adianta uma delícia de mulher como você com intelecto e talentos, mas sem CORAGEM?
Cócegas,
Kevin.
queria poder controlar essa coisa tão humana chamada expectativa, para, então, controlar essa coisa tão humana chamada decepção.
aguardo notícias, surpresas e reviravoltas!
Kevin Absurdo… hum…codinomes também não me parecem coisas de gente com muita coragem.
Acho triste essa mania dos homens de se esconder atras do pau, amigo. Trepadas são instinto. Dou uma bela trepada quando quero ser bicho e deixar as emoções longe das minhas secreções. No momento eu estou interessada mesmo em ser humana, com todos os seus percalços.
Não sei se você vai conseguir compreender o que eu digo; pelas suas palavras me parece que assumir as fragilidade da nossa condição de ser humano não faz parte do seu rol de “coragens”.
Agradeço o que acredito ter sido um elogio na sua última frase, mas sexo verbal e tesão intelectual são coisas nas quais eu deixei de acreditar faz um tempo, ou seja, nós não temos futuro como amantes. Desculpe.
Ps: Eu não estou reclamando de nada, apenas constatando, observando e saboreando as coisas que só quem não morre de medo da vida aceita e entende. Talvez você não tenha percebido, mas pode ser que você esteja escondido embaixo da cama achando que esse espaço limitado onde deposita seus sonhos é o Mundo. Ou não. Não lhe conheço, não posso saber.
Ana,
Postei dia desses no Facebook o vídeo de uma música, “Mon Essentiel”, do musical Le Roi Soleil, e seu texto me lembrou muito, muito mesmo dois versos da música:
Tiens, rien ne nous emmènes plus loin
Qu’un geste qui revient…
Que seu retorno signifique uma ida ainda mais distante do que você já foi até hoje, em qualquer que seja o aspecto – desde que seja bom. Não a conheço pessoalmente, mas é engraçada a afinidade que as palavras geram.
Une bonne année à vous, ma chère.
P.s.: “Tesão intelectual” foi tudo… Nunca tinha pensado nisso…
Opa, vou caçar o vídeo! Um Feliz Ano Novo pra você querida!
adorei sua resposta “sutil” – muito mesmo.