Coletânea de Pensamentos Desconexos

Todos os pronomes são eu;

Arquivos de January, 2010

Nó cego

Discretamente, ele iniciou o processo de desfazer os laços criados durante a vida que levou por anos e não quer mais. Ele quer recomeçar. Nada mais justo que ele querer recomeçar. E embora isso me mate por dentro – e ele não assuma – eu também sou um nó cego do qual ele precisa se desprender; agora que ele quer movimento, eu assentei.

Penso nisso sentada em um lugar de decoração exagerada na Broadway, onde, se presente, ele teria pedido um café com leite grande e me perguntado em seguida: chocolate? Penso nele bebericando o chocolate que ele não pediu para mim. Penso que ele agora estaria xingando essa cidade comigo, maldizendo a impossibilidade de todas as cidades do mundo. Eu lhe diria entre um golinho e outro que o Rio de Janeiro também é impossível. E ele me olharia com aquela cara desdém, levantando a sobrancelha direita.

Os nós : dos meus dedos tamborilando nervosamente na mesa, do choro entalado na minha garganta. Existe sim esse nó apertado que contra todos os presságios, ainda nos segura e que eu não consigo desatar. Eu sei que tenho que afiar as facas. Logo chega a hora em que eu vou ter que cortar as cordas e deixá-lo partir.

Vai ser estranho. Eu nunca fui a metade que fica.

5 comments

Fidelidade

Por que é difícil? Simples: porque é uma fidelidade natural. Não tem nada a ver com moral nem convenções sociais. Não é questão de certo ou errado. Não é questão de respeito. É tão difícil sair da concha e conhecer outros machos porque eu me sinto traindo. E aí as pessoas vêm me dizer que eu estou louca; que eu não posso me sentir traindo alguém que não está comigo.

E é aí que está o problema: no momento que eu não tenho a menor vontade de sair com outros caras e saio porque teoricamente é a coisa correta a fazer – é bem provavel que seja – eu me sinto traindo a mim mesma.

4 comments

Cegueira Noturna

Me arrasa essa sensação insistente de que escolher não me machucar implica em escolher não amar – logo agora que o amor, vez ou outra, quase sem querer, me acena como uma real possibilidade.

Ainda me lembro bem de quando eu fantasiava tudo. Fechava os olhos, projetava e meu coracão acelerava numa festa sem hora para terminar. Hoje, eu analiso tudo e me privo da delicadeza de momentos pelos quais esperei por tanto tempo. Sinto-me como a perfeita anfitriã que organiza tudo impecavelmente mas não consegue aproveitar a própria festa.

Não sei se é possível perceber o que se passa comigo: pela primeira vez nos meus 32 anos, amar não me enche de energia. O amor não irrompe em gestos tresloucados de paixão. Questiono-me se posso ainda chamar o que sinto, amor. Ou se por anos batizei meu sentimento com um nome errado. (Terei eu exaurido irremediavelmente meu repertório de quimeras?)

Eu mudei e não sei dizer se isso é bom ou ruim.

Não me reconheço em mim; nessa visão cartesiana de tudo, nessa guarda levantada, no meu pé de apoio fincado no chão. Em que momento amar se tornou essa preparação pra batalha? Quando, eu que sempre fui muralha, comecei a me defender de tudo, assim, tão assutada?

E onde estão todas as mãos que já segurei na escuridão, nessas horas insones em que desabo em lágrimas, completamente cegada pelo medo?

6 comments

Bilhetinhos

“No momento em que a gente aceita o coração do outro na mão, a gente aceita a responsabilidade de cuidar dele, primo… Às vezes eu acho que meu coração é uma batata-quente.”

(conversa com o primo Ivan, via Facebook)

1 comment

São Tomé

Mais uma vez minha humanidade prega suas peças.
Desaponto-me comigo mesma ao perceber minha fé se foi perdendo nas muitas idas e vindas. Eu preciso de provas de amor.

2 comments

  • Mais de Mim

  • Linked In
  • Trabalhos
  • Facebook
  • Last FM
  • Twitter


    follow anamangeon at http://twitter.com
  • Últimos Posts

  • Categorias

  • Boas Palavras

  • A Casa Invisível
  • Sem Aspas
  • Faz-me (So)Rir

  • Clients From Hell
  • Stuff No One Told Me
  • Luv Luv Luv
  • Assine o Feed

     RSS