Nó cego
Discretamente, ele iniciou o processo de desfazer os laços criados durante a vida que levou por anos e não quer mais. Ele quer recomeçar. Nada mais justo que ele querer recomeçar. E embora isso me mate por dentro – e ele não assuma – eu também sou um nó cego do qual ele precisa se desprender; agora que ele quer movimento, eu assentei.
Penso nisso sentada em um lugar de decoração exagerada na Broadway, onde, se presente, ele teria pedido um café com leite grande e me perguntado em seguida: chocolate? Penso nele bebericando o chocolate que ele não pediu para mim. Penso que ele agora estaria xingando essa cidade comigo, maldizendo a impossibilidade de todas as cidades do mundo. Eu lhe diria, entre um golinho e outro, que o Rio de Janeiro também é impossível. E ele me olharia com aquela cara desdém, levantando a sobrancelha direita.
Os nós. Dos meus dedos tamborilando, nervosamente, na mesa. Do choro entalado na minha garganta. Existe sim esse nó apertado que, contra todos os presságios, ainda nos segura e que eu não consigo desatar. Eu sei que tenho que afiar as facas. Logo chega a hora em que eu vou ter que cortar as cordas e deixá-lo partir.
Vai ser estranho. Eu nunca fui a metade que fica.
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Nuca fomos a metade que fica.
Mas sempre fomos estranhas.
E sempre estarei perto pro que vier dessa ‘nova’ metade. Sejam risos, sejam lágrimas, sejam palavrões ou ressacas. Amo, mesmo que longe.
Também te amo, Hermanita! xxxx
Por um instante pensei que falava de mim! heh!
Ehy! Como estão as coisas aí na terrinha? Preparando o terreno para o retorno?
Bonito, Ana.