Coletânea de Pensamentos Desconexos

Todos os pronomes são eu;

Arquivos de February, 2010

Ceticismo

Quando peço verdades,
tu me vens com teus dilemas;

E quando quero discurso,
perpetuas teu silêncio;

Mendigo certezas,
tu me dás estratagemas;

Confusa, contento-me
com o que nem sei se tenho.

Preciso saber,
mas não queres me contar.

Quero entender,
mas não tens explicação.

Inconvicto,
tu me deixas muito solta.

Atormentado pela dúvida,
o meu amor te escapa.

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Motivos para escrever

O que me incomoda não é a crítica, mas a pretensão de pensarem que me conhecem quando nem eu mesma me conheço muito bem. Essa mania que algumas pessoas têm de achar que eu escrevo para elas quando eu escrevo para mim. Sim, eu sou egocêntrica e minhas motivações quase sempre egoístas. Até mesmo quando extremamente legal eu sou egoísta – ajudo porque me faz bem, cuido porque me conforta. São raras as vezes em que começo a escrever com intenção evidente de fazer literatura – não posso sequer dizer que alguma vez o fiz. As palavras acontecem. Elas escapam uma a uma e vão se agrupando. Às vezes viram conto, outras poemas. Quase sempre são apenas a minha forma de racionalizar essa angústia constante que viver me causa e não permitir que ela me paralise. Por mais que todos nós tenhamos aqueles dias em que seria bom ir dormir sabendo que não se vai acordar, é preciso continuar vivendo. Se viver fosse opcional, eu escolheria continuar vivendo. Mas gostaria que vez ou outra nos fosse permitido entrar em hibernação.

Olho em volta, observo as pessoas e vejo um mundo que a cada dia me parece valer menos a pena. Aí, quando o peso dessa idéia parece que vai mesmo dobrar as minhas pernas, eu escrevo. E depois aperto aquele botãozinho azul onde se vê a palavra publicar. O peso alivia. Não me sinto diferente dos doidos que saem por aí falando com seus botões; balbuciamos sem nos importar em sermos ouvidos, porque nosso ópio não é atenção em si, mas a sua possibilidade.

Escrevo porque eu percebo demais, entendo demais. Escrevo porque tenho essa sensação de que se eu não der à minha intuição um formato ela pode acabar virando uma loucura e eu ainda não estou pronta para a enorme liberdade que enlouquecer representa.

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