Archive for April, 2010
Epílogo
Foi simples assim. Depois de toda minha prosa e tanta poesia, tudo acabou exatamente nas palavras que ele deveria ter escrito mas não escreveu. Eu esperei um, dois, três dias. Por fim, o silêncio consumiu últimos resquícios daquele sentimento já muito corroído e maculado pelo tempo. Eu ainda tentei salvar, eu ainda insisti em regar a planta seca, mas não deu. Morreu.
Curiosamente, ao constatar sua defunteza, não fiquei triste. Até disse para uns e outros que senti raiva, mas menti. Eu não sei o que eu senti. Acho que eu não senti nada.
Apenas desperdicei uns minutos olhando para ele. Depois juntei os fios de cabelo que cuidadosamente recolhi da minha cama e joguei na privada. Aí, passei suas camisas, dobrei suas cuecas. Empacotei as reminiscências daquele sonho cansativo e escrevi algo que era para ser um poema, mas não foi.
Despachei a trouxa. Deixei de ser trouxa. Dei a descarga no vaso e na minha alma.
Não havia outra saída. Alguém tinha invadido o silêncio que ele fez com a surpresa de vozes desconhecidas. Eu havia finalmente compreendido que amar um amor que me privava de ser amada não valia a pena.
O fim era o início de uma nova liberdade.
5 commentsDiálogos
- Nunca pensei que você fosse desse tipo que se importa com que os outro dizem.
- Eu só me importo quando eles têm razão.
Sobre fins
Então livrei-me finalmente daquela metade ingrata
e deu-se que espantosamente voltei a ser-me inteira.