Union Square

Abriu as pesadas cortinas púrpura e a luz inundou o quarto com a atmosfera de uma Nova York primaveril. Ficamos ali abraçados muito juntos, olhando a praça de cima por longos minutos. Murmurei num suspiro que havia sido injusta com a Cidade. A Cidade era bela assim, iluminada. E as pessoas pareciam muito felizes banhadas pelo dourado pálido do sol de abril. Permanecemos sentados no parapeito ainda um pouco, fazendo planos como dois meninos que discutem o que vão ser quando crescer. Às vezes, ele fechava os olhos e com as mãos trêmulas passava os dedos pelos meus cabelos. Então dizia um eu te amo dolorido que doía nele e que doía também em mim. Eu segurava o choro pensando na fragilidade daquele instante; cada segundo a mais era também um segundo a menos.

Talvez, o grande amor fosse, no fundo, apenas aquilo: a mágica do momento. Somente o saber, ao acordar, que eu não havia roncado e que naquela noite ele não tinha tido pesadelos. Beijos lascivos sem escovar os dentes. Champanhe antes do café da manhã.

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4 Comments so far

  1. Marco Nascimento May 13th, 2010 1:45 am

    “cada segundo a mais era também um segundo a menos”
    mais uma frase que vc tira do éter pra fixar na literatura. foda, ana

  2. Carmem May 13th, 2010 1:51 am

    Talvez seja essa a melhor definição de grandes amores… a mágica do momento. Que tenhamos a dádiva de momentos lúdicos assim mais vezes na vida…

  3. camila May 13th, 2010 11:20 am

    suspiro.

  4. Elton May 19th, 2010 8:03 pm

    essa frase pega a gente mesmo…

    `cada segundo a mais era também um segundo a menos.`

    esse texto é um dos melhores, dentre os melhores.

    o nome disso é Literatura.

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