Union Square
Abriu as pesadas cortinas púrpura e a luz inundou o quarto com a atmosfera de uma Nova York primaveril. Ficamos ali abraçados muito juntos, olhando a praça de cima por longos minutos. Murmurei num suspiro que havia sido injusta com a Cidade. A Cidade era bela assim, iluminada. E as pessoas pareciam muito felizes banhadas pelo dourado pálido do sol de abril. Permanecemos sentados no parapeito ainda um pouco, fazendo planos como dois meninos que discutem o que vão ser quando crescer. Às vezes, ele fechava os olhos e com as mãos trêmulas passava os dedos pelos meus cabelos. Então dizia um eu te amo dolorido que doía nele e que doía também em mim. Eu segurava o choro pensando na fragilidade daquele instante; cada segundo a mais era também um segundo a menos.
Talvez, o grande amor fosse, no fundo, apenas aquilo: a mágica do momento. Somente o saber, ao acordar, que eu não havia roncado e que naquela noite ele não tinha tido pesadelos. Beijos lascivos sem escovar os dentes. Champanhe antes do café da manhã.
© 2010, ana. All rights reserved.
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“cada segundo a mais era também um segundo a menos”
mais uma frase que vc tira do éter pra fixar na literatura. foda, ana
Talvez seja essa a melhor definição de grandes amores… a mágica do momento. Que tenhamos a dádiva de momentos lúdicos assim mais vezes na vida…
suspiro.
essa frase pega a gente mesmo…
`cada segundo a mais era também um segundo a menos.`
esse texto é um dos melhores, dentre os melhores.
o nome disso é Literatura.