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	<title>Coletânea de Pensamentos Desconexos &#187; Autobiografia</title>
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	<description>Todos os pronomes são eu;</description>
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		<title>Union Square</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 02:33:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Abriu as pesadas cortinas púrpura e a luz inundou o quarto com a atmosfera de uma Nova York primaveril. Ficamos ali abraçados muito juntos, olhando a praça de cima por longos minutos. Murmurei num suspiro que havia sido injusta com a Cidade. A Cidade era bela assim, iluminada. E as pessoas pareciam muito felizes banhadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abriu as pesadas cortinas púrpura e a luz inundou o quarto com a atmosfera de uma Nova York primaveril. Ficamos ali abraçados muito juntos, olhando a praça de cima por longos minutos. Murmurei num suspiro que havia sido injusta com a Cidade. A Cidade era bela assim, iluminada. E as pessoas pareciam muito felizes banhadas pelo dourado pálido do sol de abril. Permanecemos sentados no parapeito ainda um pouco, fazendo planos como dois meninos que discutem o que vão ser quando crescer. Às vezes, ele fechava os olhos e com as mãos trêmulas passava os dedos pelos meus cabelos. Então dizia um eu te amo dolorido que doía nele e que doía também em mim. Eu segurava o choro pensando na fragilidade daquele instante; cada segundo a mais era também um segundo a menos.</p>
<p>Talvez o grande amor fosse, no fundo, apenas aquilo: a mágica do momento. Somente o saber, ao acordar, que eu não havia roncado e que naquela noite ele não tinha tido pesadelos. Beijos lascivos sem escovar os dentes.  Champanhe antes do café da manhã.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Epílogo</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 04:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi simples assim. Depois de toda minha prosa e tanta poesia, tudo acabou exatamente nas palavras que ele deveria ter escrito mas não escreveu. Eu esperei um, dois, três dias. Por fim, o silêncio consumiu últimos resquícios daquele sentimento já muito corroído e maculado pelo tempo. Eu ainda tentei salvar, eu ainda insisti em regar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi simples assim. Depois de toda minha prosa e tanta poesia, tudo acabou exatamente nas palavras que ele deveria ter escrito mas não escreveu. Eu esperei um, dois, três dias. Por fim, o silêncio consumiu últimos resquícios daquele sentimento já muito corroído e maculado pelo tempo. Eu ainda tentei salvar, eu ainda insisti em regar a planta seca, mas não deu. Morreu.</p>
<p>Curiosamente, ao constatar sua defunteza, não fiquei triste. Até disse para uns e outros que senti raiva, mas menti. Eu não sei o que eu senti. Acho que eu não senti nada.</p>
<p>Apenas desperdicei uns minutos olhando para ele. Depois juntei os fios de cabelo que cuidadosamente recolhi da minha cama e joguei na privada. Aí, passei suas camisas, dobrei suas cuecas. Empacotei as reminiscências daquele sonho cansativo e escrevi algo que era para ser um poema, mas não foi.</p>
<p>Despachei a trouxa. Deixei de ser trouxa. Dei a descarga no vaso e na minha alma. </p>
<p>Não havia outra saída. Alguém tinha invadido o silêncio que ele fez com a surpresa de vozes desconhecidas.  Eu havia finalmente compreendido que amar um amor que me privava de ser amada não valia a pena.</p>
<p>O fim era o início de uma nova liberdade.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Diálogos</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 03:21:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[- Nunca pensei que você fosse desse tipo que se importa com que os outro dizem. - Eu só me importo quando eles têm razão. &#169; 2010, Ana Mangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Nunca pensei que você fosse desse tipo que se importa com que os outro dizem.<br />
- Eu só me importo quando eles têm razão.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Fogo Manso</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 04:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[A pedra esfregou na rodinha metálica e o isqueiro acendeu de primeira. A chama, então, queimou vagarosamente a ponta do cigarrinho slim. Dei um trago demorado. E foi a primeira vez em meses que eu acendi um cigarro com a sincera intenção de desgustá-lo. Fumar sempre fora uma válvula de escape. A chaminé imaginária para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pedra esfregou na rodinha metálica e o isqueiro acendeu de primeira. A chama, então, queimou vagarosamente a ponta do cigarrinho slim.  Dei um trago demorado. E foi a primeira vez em meses que eu acendi um cigarro com a sincera intenção de desgustá-lo.  Fumar sempre fora uma válvula de escape. A chaminé imaginária para liberar a pressão da vida a comprimir o meu espírito.</p>
<p>Era assim: eu acendia o cigarro com as mãos sempre trêmulas. Às vezes perdia o controle e os fósforos se acabavam pelo chão. Eu tentava apaziguar meus dilemas no crepitar da brasa; aspirava a fumaça tóxica e me intoxicava. Daí soltava uma baforada, soprava a ansiedade para fora do corpo e deixava as cinzas pelo chão. Voltava a mim na ilusão de ter-me carbonizado os problemas. Normalmente eles ainda estavam lá fazendo pouco da minha inocência.</p>
<p>Não sei ao certo o que me deu de colocar o maço na mochila. De catar com as pontas dos dedos o rolinho magricela e colocá-lo sedutoramente entre os lábios.  Surpreendo-me com minhas próprias pantomimas.  Conto-me que mudei nesses gestos que ninguém percebe e que nem sempre eu compreendo.</p>
<p>Diferente do habitual, hoje, engolir a fumaça e deixá-la corromper os meus pulmões nada mais era que um momento masturbatório e delicadamente masoquista; o prazer de dolorosamente existir sem maiores consequências; de desperdiçar longos minutos soprando argolas etéreas pelo ar. De debruçar-me na sacada e permitir à brisa úmida dos trópicos beijar por alguns instantes a pele tépida dos meus braços nus.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Nó cego</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 06:16:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Discretamente, ele iniciou o processo de desfazer os laços criados durante a vida que levou por anos e não quer mais. Ele quer recomeçar. Nada mais justo que ele querer recomeçar. E embora isso me mate por dentro &#8211; e ele não assuma &#8211; eu também sou um nó cego do qual ele precisa se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Discretamente, ele iniciou o processo de desfazer os laços criados durante a vida que levou por anos e não quer mais. Ele quer recomeçar. Nada mais justo que ele querer recomeçar. E embora isso me mate por dentro &#8211; e ele não assuma &#8211; eu também sou um nó cego do qual ele precisa se desprender; agora que ele quer movimento, eu assentei.</p>
<p>Penso nisso sentada em um lugar de decoração exagerada na Broadway, onde, se presente, ele teria pedido um café com leite grande e me perguntado em seguida: chocolate? Penso nele bebericando o chocolate que ele não pediu para mim. Penso que ele agora estaria xingando essa cidade comigo, maldizendo a impossibilidade de todas as cidades do mundo. Eu lhe diria entre um golinho e outro que o Rio de Janeiro também é impossível. E ele me olharia com aquela cara desdém, levantando a sobrancelha direita.</p>
<p>Os nós : dos meus dedos tamborilando nervosamente na mesa, do choro entalado na minha garganta. Existe sim esse nó apertado que contra todos os presságios, ainda nos segura e que eu não consigo desatar. Eu sei que tenho que afiar as facas.  Logo chega a hora em que eu vou ter que cortar as cordas e deixá-lo partir. </p>
<p>Vai ser estranho. Eu nunca fui a metade que fica.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Fidelidade</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 00:43:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que é difícil? Simples: porque é uma fidelidade natural. Não tem nada a ver com moral nem convenções sociais. Não é questão de certo ou errado. Não é questão de respeito. É tão difícil sair da concha e conhecer outros machos porque eu me sinto traindo. E aí as pessoas vêm me dizer que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por que é difícil? Simples: porque é uma fidelidade natural. Não tem nada a ver com moral nem convenções sociais. Não é questão de certo ou errado. Não é questão de respeito.  É tão difícil sair da concha e conhecer outros machos porque eu me sinto traindo. E aí as pessoas vêm me dizer que eu estou louca; que eu não posso me sentir traindo alguém que não está comigo.</p>
<p>E é aí que está o problema: no momento que eu não tenho a menor vontade de sair com outros caras e saio porque teoricamente é a coisa correta a fazer &#8211; é bem provavel que seja &#8211; eu me sinto traindo a mim mesma.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Graham St. Station &#8211; 2:31 p.m</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 07:20:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Idas e Vindas]]></category>
		<category><![CDATA[suspiros]]></category>

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		<description><![CDATA[É curioso pois estar fora traz a sensação de poder-se recomeçar do zero e do zero ser exatamente o ponto onde eu estou &#8211; sem retrocessos nem remorsos, portanto. Sinto-me reiniciando apesar da certeza do meu retorno. Não há dúvidas de que eu volto na data combinada mas, ainda assim, vez ou outra me corre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É curioso pois estar fora traz a sensação de poder-se recomeçar do zero e do zero ser exatamente o ponto onde eu estou &#8211; sem retrocessos nem remorsos, portanto. Sinto-me reiniciando apesar da certeza do meu retorno. Não há dúvidas de que eu volto na data combinada mas, ainda assim, vez ou outra me corre um daqueles arrepios na espinha que me acometem toda vez que algo inesperado está prestes a acontecer e mudar completamente o rumo tranquilo das coisas já encaminhadas na minha vida. Não sei se é destino ou maldição, mas eu nunca resisto aos atalhos. Eu não respeito as portas marcadas com &#8220;staff only&#8221;. Haverá qualquer surpresa me aguardando em casa? Levarei a surpresa na bagagem? Não sei. Apenas sinto em minha alma sua iminência e me concentro em controlar as expectativas. As expectativas têm um poder malígno de arruinar os gracejos do destino e o ser humano tem essa  vocação natural para a decepção. Decepciono-me com frequência, por isso evito as expectativas; para amenizar os revezes da minha humanidade.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2009 &#8211; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Diálogos</title>
		<link>http://www.anamangeon.com/blog/2009/12/10/dialogos-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 18:28:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Barata]]></category>
		<category><![CDATA[Quickies]]></category>

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		<description><![CDATA[- Ana, essa relação de vocês é utopia!!!! - Lógico que é. Que outra coisa seria capaz de manter dois tontos sonhadores juntos? &#169; 2009, Ana Mangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Ana, essa relação de vocês é utopia!!!!<br />
- Lógico que é. Que outra coisa seria capaz de manter dois tontos sonhadores juntos?</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2009, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Temperatura de Cor</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 02:09:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Admirou-se com a riqueza de detalhes com que registrei aquela noite na minha memória. Eu tenho esse dom de inventar palhetas inesquecíveis. Era a noite cinza e a casa escura. Nós quentes; os dois vestidos em cor-de-laranja. Lembro-me de poltronas vermelhas. Lembro-me da música negra. Lembro-me de meus peitos pálidos repousando no seu torço ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Admirou-se com a riqueza de detalhes com que registrei aquela noite na minha memória. Eu tenho esse dom de inventar palhetas inesquecíveis. </p>
<p>Era a noite cinza e a casa escura. Nós quentes; os dois vestidos em cor-de-laranja. Lembro-me de poltronas vermelhas. Lembro-me da música negra. Lembro-me de meus peitos pálidos repousando no seu torço ainda imaculado e de nossas blusas jogadas pelo chão do quarto, se embolando em ton sur ton.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2009, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Miss Zippo</title>
		<link>http://www.anamangeon.com/blog/2009/11/06/miss-zippo/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 14:45:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Mangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[Idas e Vindas]]></category>
		<category><![CDATA[Nomes]]></category>

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		<description><![CDATA[É simples: pouco a pouco, eu me abandonei. E comigo, as velhas teimosias, os sonhos românticos que nunca passaram de suspiros entre um gole e outro. Entre um encontro e outro. De mim para os corpos sem sentido ocuparam minha cama sem deixar vestígios de sua passagem no colchão. Perdi o interesse pelas peles e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É simples: pouco a pouco, eu me abandonei. E comigo, as velhas teimosias, os sonhos românticos que nunca passaram de suspiros entre um gole e outro. Entre um encontro e outro. De mim para os corpos sem sentido ocuparam minha cama sem deixar vestígios de sua passagem no colchão. Perdi o interesse pelas peles e seus atritos. Na consciência da improbabilidade do amor, os corpos se foram tornando artigos descartáveis. Assim, todos eles foram um tanto como aquelas bonecas de papel dos tempos de criança: a brincadeira sem conseqüências de despir depois vestir e enfim destiná-los ao esquecimento no fundo de um armário úmido que um dia seria tomado pelo mofo.</p>
<p>Eu amava me apaixonar. Eu gostava de me apaixonar duzentas vezes pela mesma pessoa e ao mesmo tempo por outras duzentas. Isso me movia, me enchia de energia. Mas, de repente, sem nenhuma razão aparente, perdi o gosto. E foi isso que eu tentei explicar quando ele surpreendentemente ressurgiu com todo seu arsenal de ardis me chamando de Miss Zippo:</p>
<p>“Ah, Jay&#8230; os dias de Miss Zippo há muito se foram. É que as centelhas andam raras e eu já me desperdicei demais por aí com desgraça pouca. Aquela paixão que corria bolente nas minhas veias tornou-se um combustível escasso e como já não sou tão jovem, era urgente começar a economizá-lo. Sabe, quando acesa, não tem vento nem tempestade que me apague a chama – isso não mudou. Mas lhe devo dizer que já não é qualquer fagulha que me inflama&#8230;”</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2009 &#8211; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>Ana Mangeon</a>. All rights reserved. </p>
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