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	<title> &#187; Autobiografia</title>
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		<title>Bem&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 02:18:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
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		<description><![CDATA[eu tentei escrever algo sobre 2011, mas a única palavra que me me ocorre é &#8220;ok&#8221;" E &#8220;ok&#8221; é uma paz sem fim. &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>eu tentei escrever algo sobre 2011, mas a única palavra que me me ocorre é &#8220;ok&#8221;"</p>
<p>E &#8220;ok&#8221; é uma paz sem fim.</p>
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		<title>Equações Noturnas</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 04:17:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[suspiros]]></category>

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		<description><![CDATA[{rivobanzo > minhocas na cabeça ⇔ ∄ sono ∈ Ana} &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>{rivobanzo > minhocas na cabeça ⇔ ∄ sono ∈ Ana} </p>
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		<title>Vitória e eu</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 22:02:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há dias que penso incansavelmente em Vitória Régia. Vitória Régia é um personagem. Um personagem com início e fim. Sem meio. Eu nunca soube direito o que aconteceu com ela depois daquela noite, em janeiro de 2007, quando eu passei longas horas observando-a ser derrotada pelo temporal e pelo medo. O fato é que Vitória [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dias que penso incansavelmente em Vitória Régia. Vitória Régia é um personagem. Um personagem com início e fim. Sem meio.</p>
<p>Eu nunca soube direito o que aconteceu com ela depois daquela noite, em janeiro de 2007, quando eu passei longas horas observando-a ser derrotada pelo temporal e pelo medo. O fato é que Vitória ficou ali, passava das duas da manhã, e ela ficou ali. Sua silhueta longelínea cambaleando ao vento para direita e para esquerda, a saia longa colada nas coxas e os cabelos grudados no rosto. Até que um motorista apressado, borrifou-lhe a camiseta com um esguicho de lama e ela saiu do transe. Não reclamou. Apenas desgrudou os cabelos da testa e levantou os olhos em direção ao relógio da rua. Então, fez sinal para um taxi e voltou para casa.</p>
<p>Eu sei que ela havia recebido notícias de alguém retornava e que ela não sabia se queria de volta. Ainda assim, ela se lembrava bem dos gostos dele e prontificou-se a fazer o melhor jantar de suas vidas. E, por isso, saiu na chuva, de madrugada, para fazer compras. Sei também que ela entrou em casa sem acender as luzes e sem receio de molhar o tapete. Colocou as sacolas no chão, arrancou os sapatos, despiu-se inteira. Acendeu um cigarro, ficou flertando com São Paulo pela janela e não atendeu o telefone que insistiu tocando até a secretária eletrônica entrar.</p>
<p>Aí, Vitória sumiu. Perdeu-se nas muitas coisas que eu tinha a fazer. Nos trabalhos. Nas tantas tarefas muito mais importantes que pegá-la pela mão e guiá-la até seu destino.</p>
<p>A verdade é que eu conhecera Vitória dois anos antes desse dia de temporal. Eu não sabia seu nome, mas sabia que ela esperava por alguém sentada no escuro da sala de estar de sua casa &#8211; uma sala de estar que hoje se parece tanto com a da minha casa. Eu não sabia seu nome, mas sabia que ela estava disposta a morrer de amor, e por isso, não me assustei quando aquela mulher vomitou seu coração nas mãos e ficou segurando ali, ele pulsando, pulsando até que ela se cansou e rompeu a dente as artérias que lhe pendiam da boca, libertou as borboletas do estômago e adormeceu suavemente antes que pudesse testemunhar a delicada sincronia entre a campainha que tocava e o coração que preguiçosamente escorria pela suas mãos para partir-se em cacos pelo chão.</p>
<p>Vitória é um personagem. Um personagem que já sabe seu fim. Um vulto pálido de pé no tapete da sala fitando-me sem expressão, um fantasma que me pede uma história que a faça crer que morrer de amor vai valer a pena.</p>
<p>Essa é a grande questão; foi por isso que aprisionei Vitória nesse canto escondido da memória. Para que ela não se aproxime muito. Para que ela não me assombre demais. Para não dar a ela a oportunidade de me perguntar “Vale?’ e ter que confessar que eu já não sei.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Auto-retrato</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 03:23:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Não se engane: há dias que nem Narciso consegue encarar o espelho. &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não se engane: há dias que nem Narciso consegue encarar o espelho.</p>
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		<title>Pensamentos Desconexos</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jul 2011 21:25:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Há dias em que eu sou o vento. Noutros vela e o timão. Há dias em que sou os três; nesses, eu sempre entendo o propósito das âncoras Nem toda fuga é garantia de libertação. &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dias em que eu sou  o vento. Noutros vela e o timão. Há dias em que sou os três; nesses, eu  sempre entendo o propósito das âncoras</p>
<p>Nem toda fuga é garantia de libertação.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>1 xícara e 1/2 de açúcar</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jun 2011 00:22:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Com frequência, minha frustração se manifesta na forma de uma incansável rabugice. E eu continuava resmungando. Talvez porque quisesse algum endosso ou consolo, talvez para amenizar a sensação de derrota que eu sentia no momento. Ou talvez eu inconscientemente quisesse testar seu limite. Foi então que, provavelmente de saco cheio da minha ladainha, ele virou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com frequência, minha frustração se manifesta na forma de uma incansável rabugice. E eu continuava resmungando. Talvez porque quisesse algum endosso ou consolo, talvez para amenizar a sensação de derrota que eu sentia no momento.  Ou talvez eu inconscientemente quisesse testar seu limite. Foi então que, provavelmente de saco cheio da minha ladainha, ele virou o queixo abruptamente por cima do ombro e me olhando de esgueira disse, &#8220;Ana mas você sabe que você é&#8230;&#8221; </p>
<p>Sim, eu sei&#8230;</p>
<p>Eu sei que é preciso descalçar as ferraduras, vestir as luvas de pelica e aprender a me calar. Sim, eu reconheço que a voz da minha insegurança é áspera e diz coisas torpes. Sim, eu sei que é imperativo que os medos fiquem nas gavetas de chave da alma trancafiados com todos os meus traumas. É preciso enterrá-los n&#8217;algum lugar bem obscuro e depois jogar a chave fora. </p>
<p>Sim, eu sei que é urgente baixar a guarda e podar os espinhos. Para tudo, para a vida. Colocar nessa acidez ancestral aquela xícara e meia de açúcar que torna qualquer presença mais palatável e &#8211; porque não? &#8211; eventualmente voltar a ser uma criatura constantemente aprazível.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Turbo</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Mar 2011 01:51:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Parecerá sempre com uma grande aventura pois essa é a imagem que eu quero &#8211; preciso? &#8211; criar na imaginação de quem escuta minhas histórias. Eu sempre pareço mais bonita na imagem criada pela audiência. E, acredite, é tão fácil distorcer discretamente tudo e fazer do medo, a coragem. Da confusão, a certeza. Da solidão, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parecerá sempre com uma grande aventura pois essa é a imagem que eu quero &#8211; preciso? &#8211; criar na imaginação de quem escuta minhas histórias. Eu sempre pareço mais bonita na imagem criada pela audiência. E, acredite, é tão fácil distorcer discretamente tudo e fazer do medo, a coragem. Da confusão, a certeza. Da solidão, a liberdade. Do outro lado da rua, o Mundo.</p>
<p>Ponho o pé na estrada para saciar a minha sede infinita de culturas e paisagens. Atiro-me feliz, depois visto a armadura do relato. Farto-me de novos e velhos ares e seleciono cuidadosamente as sensações. Aí, eu conto. Conto porque contar é uma forma de reviver e enxergar sob novos ângulos a experiência. </p>
<p>Conto também &#8211; como negar?- porque contar é uma forma de ter meu ego eventualmente acariciado. Embora perigoso, a vaidade é um combustível eficiente para nos fazer seguir adiante. Conto para, desavergonhadamente, valer-me do seu poder de propulsão.</p>
<p>E assim, vou curando minha estagnação com outros fusos; esses remediozinhos caros, mas de gosto muito bom.  </p>
<p><em>(Praga, 18/03/2011)</em></p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Pensamentos, café e shortcake</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2011 00:25:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Idas e Vindas]]></category>

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		<description><![CDATA[É um misto de nostalgia, vontade e consciência da mudança. Há 5 anos eu vivia nessas mesmas terras e desfrutava dessa mesma paz. E não era que eu me conformasse: eu tento, mas eu nunca me conformo. Apenas, as ingresias dessa vida eram outras, quase sempre tão serenas que simplesmente passavam despercebidas. É curioso como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É um misto de nostalgia, vontade e consciência da mudança. Há 5 anos eu vivia nessas mesmas terras e desfrutava dessa mesma paz. E não era que eu me conformasse: eu tento, mas eu nunca me conformo. Apenas, as ingresias dessa vida eram outras, quase sempre tão serenas que simplesmente passavam despercebidas. É curioso como aqui a vida passa discretamente, com hora marcada e sem maiores atrasos &#8211; não que os atrasos sejam um problema. Perder as rédeas da vida, aqui, é uma desatenção menor. Se a corda escapole da mão, nos damos conta sobressaltados e apressamos desnecessariamente o passo; a vida, preguiçosa, ao se dar conta de que não a conseguimos acompanhar, senta, pacientemente nos aguarda e tem sempre um sorriso caloroso para o momento do reencontro. </p>
<p>Muitos deles, possivelmente, nunca viveram em outro ritmo, por isso consideram-se terrivelmente atribulados. É uma inocência tão graciosa que não tenho vontade de dizer que eles de nada sabem. Controlo minha eterna ânsia de honestidade e sigo atuando, alternando expressões de empatia e comiseração.</p>
<p>Talvez se aborrecessem comigo se pudessem entender minhas palavras. Talvez não fossem perceber o tanto de admiração com que escrevo cada uma delas. Eles VIVEM. E eu quase sinto inveja desse viver desacelerado, indolente, que não nutre grandes expectativas e por isso, raramente, decepciona.</p>
<p>Não sei.. talvez, com tantos castelos, se sintam todos um tanto nobres. Houve um momento em que eu também me senti princesa. Acho que me sinto um tanto princesa agora mesmo; a princesa do Reino do Café Quente e do Shortcake. A princesa que desbrava castelos para encontrar as chaves da torre de si mesma, a torre onde ela mesma um dia se encarcerou. A torre de onde ela escuta, ao longe, os acordes de uma canção celta. De onde escreve essas palavras apertando os olhos para enxergar melhor. Para não sonhar. Para não chorar.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Eu disse ao Marcito:</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 01:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Se eu não posso ser simples, eu estou tentando ser leve. Quem sabe um dia eu atinjo a complexidade de um floco de neve?&#8221; E percebi que não era questão de poder simplificar, mas de querer. E que eu nunca tinha tentado a leveza com empenho suficiente. Roncou trovoada. O gato se escondeu embaixo da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Se eu não posso ser simples, eu estou tentando ser leve. Quem sabe um dia eu atinjo a complexidade de um floco de neve?&#8221;</p>
<p>E percebi que não era questão de poder simplificar, mas de querer. E que eu nunca tinha tentado a leveza com empenho suficiente.</p>
<p>Roncou trovoada. O gato se escondeu embaixo da cama. Caiu o temporal. </p>
<p>A luz piscou mas, inspiradoramente, resistiu .</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Cobras e lagartos</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Feb 2011 19:29:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[E de repente, nada me pertence mais. E por mais que as vísceras fervam por dentro do corpo, o sangue suba nos olhos, os dentes trinquem e a voz encrespe, a única coisa a fazer é assistir em silêncio os dias se arrastarem, consumindo aos poucos meu viço e vontades.  Não existe propósito em estar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E de repente, nada me pertence mais. E por mais que as vísceras fervam por dentro do corpo, o sangue suba nos olhos, os dentes trinquem e a voz encrespe, a única coisa a fazer é assistir em silêncio os dias se arrastarem, consumindo aos poucos meu viço e vontades.  Não existe propósito em estar aqui além do exercício penoso de querer me opor, de querer brigar, e acabar compelida a ceder sem sequer questionar.  E de imaginar o que será dos pequenos mimos que compus com alma e ideias; se ficarão para morrer, se receberão carinho do outro que virá para terminar como lhe convier. Deve ser natural sentir ciúme das ideias nessas horas – mesmo quando, aparentemente, ninguém acha que elas são assim, grandes coisas.</p>
<p>As ideias&#8230; Poder, enfim, arrancar do peito a frustração cultivada ao vê-las murcharem depois de meses da na iminência de germinação. Dar a tudo que foi pensado, desenhado e gerido com paixão um último olhar, dizer o “foda-se” e trazer no dia seguinte  o corpo de mente inóspita para acomodar-se no meu lugar.  Não sei estar pela metade, fazer as coisas por fazer.  Não sei desapegar em doses homeopáticas.  Eu sou dessas pessoas que arrancam a farpa com um puxão só.</p>
<p>Não fui eu mesma nesses 12 meses, porque eu tentei ser madura, porque eu tentei me ajustar. Porque eu tentei viver conforme os padrões de normalidade para evitar opiniões e julgamentos. Eu tentei me conformar; não deu. Tentei querer o que eles querem, ver o que eles veem, compreender a vida como eles compreendem. Mas eu não sou quem eles são –ou acham que são. E ainda que eu não saiba o que eu quero, tenho certeza que não é o que eles querem.  Ao assumir essa realidade, amplio as lacunas  e deixo as opiniões reverberarem sem esboçar qualquer reação.</p>
<p>Mas confesso que sinto uma qualquer inveja dessas pessoas imunes, que sabem bem como não colocar o coração em tudo. Essas pessoas que batem sem agonia a porta nas costas, mesmo quando entendem que estão deixando um pedaço bonito de si para trás.  O bom e velho desapego.</p>
<p>Sinto muita inveja das cobras e dos lagartos toda vez que chega a hora da renovação.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Sobre a tatuagem do vento</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jan 2011 14:25:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Aí eu soltei isso no msn pro Mark : &#8220;eu quero que alguém entenda o que eu sinto pelo vento e traduza em traço sem que eu descreva o vento que leva, o vento que traz de volta o vento que não sopra quando eu queria que soprasse o vento que arrasta quando estava bom [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aí eu soltei isso no msn pro <a href="http://twitter.com/markmark7"><u>Mark</u></a> :</p>
<p>&#8220;eu quero que alguém entenda o que eu sinto pelo vento e traduza em traço sem que eu descreva<br />
o vento que leva, o vento que traz de volta<br />
o vento que não sopra quando eu queria que soprasse<br />
o vento que arrasta quando estava bom estar<br />
por aí &#8230;<br />
A única pessoa que saberia fazer isso ficou com medo de deixar o traço dele pra sempre em mim &#8211; ou não quis mesmo<br />
&#8230;mas deixou mesmo assim&#8230;&#8221;</p>
<p>(Mark diz: romântico&#8230;<br />
E eu suspiro, já imune a essa dor.)</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Ritos de passagem</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Jan 2011 06:54:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Baixei dois ou três filmes. Fiz massa de pizza. Escovei a Psycat. Limpei a casa. Tomei um banho de sal grosso e rosa branca. Mandei alguns sms festivos. Assisti 2/3 de Toy Story 3. Olhei para o relógio e vi que faltava pouco pra 2010 acabar. Pensei no que vestir. Lembrei que nem branco, nem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Baixei dois ou três filmes. Fiz massa de pizza. Escovei a Psycat. Limpei a casa. Tomei um banho de sal grosso e rosa branca. Mandei alguns sms festivos. Assisti 2/3 de Toy Story 3. Olhei para o relógio e vi que faltava pouco pra 2010 acabar. Pensei no que vestir. Lembrei que nem branco, nem vermelho, nem azul, nem verde, nem amarelo nunca funcionaram. Abri a espumante vagabunda que veio na cesta de Natal da firma. A rolha acertou meu queixo.  Arranquei toda a roupa do corpo e fiquei ali, nua em pelo, segurando uma taça daquela bebida barata; esperando que as pessoas começassem a gritar na Paulista. Elas gritaram. De repente, 2010 tinha acabado. Já não era sem tempo.</p>
<p>Bebi 3 taças seguidas sem me preocupar com a ressaca.  Aí, a Ceci ligou: vem pra cá! Vesti-me e fui.</p>
<p>Bebi mais um pouco. Conheci umas três novas pessoas legais. Aprendi que &#8220;eu não tenho dinheiro porque dinheiro não aceita desaforo&#8221;. Dancei um pouco. Ri um pouco. Vivi um pouco e senti falta de toda a vida que eu andei desperdiçando. Cansei e me despedi. Caminhei para casa bastante trôpega, escoltada por um desconhecido com quem esbarramos ao sair da festa. A Ceci ordenou que ele me acompanhasse e ele, gentilmente, obedeceu. É tão fácil comandá-los enquanto ainda são meninos. Ele vai tentar vestibular para medicina pela segunda vez esse ano. Ele me deu 28. Ele me abraçou carinhosamente na porta de casa e desejou-me um <em>super</em> ano novo. Disse-me que eu sou uma <em>garota</em> muito legal e foi buscar a namorada que estava em outra festa  a duas quadras daqui. <em>Garota</em> foi um afago na minha alma. Eu disfarço<em>, </em>mas <em>moça</em> sempre dói.</p>
<p>O portão do prédio se abriu. Entrei e subi as escadas. Abri a porta. Psycat veio me receber com cara de fronha. Liguei o computador para escrever essas palavras, para não esquecer que 2011 começou numa sequência de ações e reações totalmente inesperadas. Para lembrar que eu ainda sou capaz de improvisos. Para lembrar desse tesão que eu sinto pelo imprevisto. Para, amanhã, recordar-me que é assim que eu gosto de viver. Do quanto eu gosto de viver.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Fraturas</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Dec 2010 22:06:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[A mandíbula moveu-se rapidamente para a direita, depois para a esquerda e pude sentir na língua o calor desprendido pela fagulha que cintilou secretamente dentro da minha boca, acompanhada por um estalido oco. Bochechei com saliva. Cuspi meio molar na palma da mão e fiquei aguardando a dor que certamente viria. Não bastasse as febres [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A mandíbula moveu-se rapidamente para a direita, depois para a esquerda e pude sentir na língua o calor desprendido pela fagulha que cintilou secretamente dentro da minha boca, acompanhada por um estalido oco. Bochechei com saliva. Cuspi meio molar na palma da mão e fiquei aguardando a dor que certamente viria. Não bastasse as febres sem explicação e os desmaios.  Era preciso mudar antes que não me sobrassem dentes, antes que nunca mais houvesse dias sem enxaquecas. Antes que todos os chopes se tornassem amargos demais e a vida se convertesse numa roda-viva de resmungos e auto-comiseração.</p>
<p>Suspirei mais alto do que gostaria e ele me olhou indagativo. Abriu com a ponta dos dedos a minha mão e invadiu a privacidade da palma onde eu escondia aquela meia banda de dente. “Outro?”, perguntou. Movimentei os olhos, dando-lhe uma resposta que podia ser tanto um sim quanto um não. “Eu nunca vou entender essa sua ansiedade destrutiva&#8230;” &#8211; murmurou com alguma dó e retirou-se da sala sem olhar-me novamente.</p>
<p>A ansiedade era muito simples de explicar e praticamente impossível de entender: era preciso que o ano terminasse. Era preciso que eu me pudesse iludir, como se realmente a vida zerasse o placar no estourar dos rojões. Eu precisava dessa anistia imaginária. Eu precisava dessa fé ignorante de que arrancada a última página do calendário, as dores cessariam e todas omissões seriam perdoadas. Eu  precisava acreditar que toda minha coleção de pequenos e grandes pecados finalmente encontrariam sua mágica redenção.</p>
<p>Eu precisava que o ano terminasse logo. E contava os segundos para o merecido repouso vestida com uma aparente apatia que nada mais era que um espelho reverso da minha alma; ali eu era a antítese de toda essa urgência que me desgasta os dentes, inflama a carne e fustiga a alma.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Jogo de Palavras</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 02:42:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Gosto desse jogo bobo com as palavras. Da capacidade que têm de se deformarem e ganharem um sentido todo novo no caminho entre a grafia tagarela e o olhar curioso. Gosto de pedir desculpas pela rima acidental, mesmo quando faço de propósito. Adoro a mensagem codificada nas vírgulas mal colocadas e pontos estanques. Gosto dessa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto desse jogo bobo com as palavras. Da capacidade que têm de se deformarem e ganharem um sentido todo novo no caminho entre a grafia tagarela e o olhar curioso. Gosto de pedir desculpas pela rima acidental, mesmo quando faço de propósito. Adoro a mensagem codificada nas vírgulas mal colocadas e pontos estanques. Gosto dessa permissão que me dão para me expôr veladamente e poder ser um eu menos cotidiano e mais surpreendente.</p>
<p>Não perdi esse gosto.</p>
<p>Se ando brincando pouco com as palavras, é somente para que, preservando-as, eu me possa preservar. Hoje, vivo errante, ausente de mim. E tenho medo que essa estranha que finge ser-me macule o meu verbo. E que maculado, o meu verbo sempre tão fiel, de repente, volte-se conta mim. Não quero correr o risco de faltar com a delicadeza. Outro dia, aconteceu. Não quero correr o risco de ser surpreendida dizendo algo que não valha a pena ser dito.</p>
<p>Esse eu avesso, é uma máquina eficiente de ordenar palavras. Eu ordeno as palavras que quero sentir, mas não sinto. A palavra quando oca, não diz. Quando não digo, sufoco. Por isso, empenho-me em chorar muito, muito mesmo, como forma alternativa de transbordamento.</p>
<p>Desafogo-me no meu pranto. E depois, com os olhos lavados de enxaqueca e lágrimas, olho-me no espelho e quase me reconheço.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Capítulo 4</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 03:29:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não queria, mas a moça me serviu uma xícara de café muito amargo. E enfeitou com um suspirinho o pires que, tantas vezes, eu usei para mendigar sua atenção Bebi. Comi. Paguei a conta depressa. Olhei o relógio, acelerei demais o passo e tropecei em mim. Encarei-me e concluí: há muito futuro pela frente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não queria, mas a moça me serviu uma xícara de café muito amargo. E enfeitou com um suspirinho o pires que, tantas vezes, eu usei para mendigar sua atenção</p>
<p>Bebi. Comi. Paguei a conta depressa. Olhei o relógio, acelerei demais o passo e tropecei em mim.</p>
<p>Encarei-me e concluí: há muito futuro pela frente para ficar remoendo um passado que existiu, mas, infelizmente, nunca aconteceu.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Deixas perdidas</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Sep 2010 23:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Desligou dizendo que me adora. Antes que sentisse pena. Antes de ter vontade. Antes que eu lhe segredasse que o único amor que liberta, é o amor próprio. &#169; 2010 &#8211; 2012, ana. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desligou<br />
dizendo que me adora.<br />
Antes que sentisse pena.<br />
Antes de ter vontade.<br />
Antes que eu lhe segredasse<br />
que o único amor que liberta,<br />
é o amor próprio.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010 &#8211; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Mosto</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2010 00:57:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[suspiros]]></category>

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		<description><![CDATA[Na escassez de lágrimas e palavras, o sentimento, silenciosamente, aguarda pela hora da fermentação. &#169; 2010, ana. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na escassez de lágrimas e palavras, o sentimento, silenciosamente, aguarda pela hora da fermentação. </p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Union Square</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 02:33:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Abriu as pesadas cortinas púrpura e a luz inundou o quarto com a atmosfera de uma Nova York primaveril. Ficamos ali abraçados muito juntos, olhando a praça de cima por longos minutos. Murmurei num suspiro que havia sido injusta com a Cidade. A Cidade era bela assim, iluminada. E as pessoas pareciam muito felizes banhadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abriu as pesadas cortinas púrpura e a luz inundou o quarto com a atmosfera de uma Nova York primaveril. Ficamos ali abraçados muito juntos, olhando a praça de cima por longos minutos. Murmurei num suspiro que havia sido injusta com a Cidade. A Cidade era bela assim, iluminada. E as pessoas pareciam muito felizes banhadas pelo dourado pálido do sol de abril. Permanecemos sentados no parapeito ainda um pouco, fazendo planos como dois meninos que discutem o que vão ser quando crescer. Às vezes, ele fechava os olhos e com as mãos trêmulas passava os dedos pelos meus cabelos. Então dizia um eu te amo dolorido que doía nele e que doía também em mim. Eu segurava o choro pensando na fragilidade daquele instante; cada segundo a mais era também um segundo a menos.</p>
<p>Talvez, o grande amor fosse, no fundo, apenas aquilo: a mágica do momento. Somente o saber, ao acordar, que eu não havia roncado e que naquela noite ele não tinha tido pesadelos. Beijos lascivos sem escovar os dentes.  Champanhe antes do café da manhã.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Epílogo</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 04:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi simples assim. Depois de toda minha prosa e tanta poesia, tudo acabou exatamente nas palavras que ele deveria ter escrito mas não escreveu. Eu esperei um, dois, três dias. Por fim, o silêncio consumiu últimos resquícios daquele sentimento já muito corroído e maculado pelo tempo. Eu ainda tentei salvar, eu ainda insisti em regar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi simples assim. Depois de toda minha prosa e tanta poesia, tudo acabou exatamente nas palavras que ele deveria ter escrito mas não escreveu. Eu esperei um, dois, três dias. Por fim, o silêncio consumiu últimos resquícios daquele sentimento já muito corroído e maculado pelo tempo. Eu ainda tentei salvar, eu ainda insisti em regar a planta seca, mas não deu. Morreu.</p>
<p>Curiosamente, ao constatar sua defunteza, não fiquei triste. Até disse para uns e outros que senti raiva, mas menti. Eu não sei o que eu senti. Acho que eu não senti nada.</p>
<p>Apenas desperdicei uns minutos olhando para ele. Depois juntei os fios de cabelo que cuidadosamente recolhi da minha cama e joguei na privada. Aí, passei suas camisas, dobrei suas cuecas. Empacotei as reminiscências daquele sonho cansativo e escrevi algo que era para ser um poema, mas não foi.</p>
<p>Despachei a trouxa. Deixei de ser trouxa. Dei a descarga no vaso e na minha alma. </p>
<p>Não havia outra saída. Alguém tinha invadido o silêncio que ele fez com a surpresa de vozes desconhecidas.  Eu havia finalmente compreendido que amar um amor que me privava de ser amada não valia a pena.</p>
<p>O fim era o início de uma nova liberdade.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Diálogos</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 03:21:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[- Nunca pensei que você fosse desse tipo que se importa com que os outro dizem. - Eu só me importo quando eles têm razão. &#169; 2010, ana. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Nunca pensei que você fosse desse tipo que se importa com que os outro dizem.<br />
- Eu só me importo quando eles têm razão.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
]]></content:encoded>
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