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	<title> &#187; Cartas</title>
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		<title>Meus olhos ficam cinza quando chove</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 00:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[(Carta a um amigo que a vida dissolveu &#8211; Novembro,2003) Ah sim, amigo, você está sempre coberto de razão quando me fala da minha solidão. Sim, às vezes eu sou esse vazio que você vê. Seus olhos não se iludem com a minha pose; nunca. E assim, com esse seu distanciamento acadêmico, você enxerga uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Carta a um amigo que a vida dissolveu &#8211; Novembro,2003)</p>
<p>Ah sim, amigo, você está sempre coberto de razão quando me fala da minha solidão. Sim, às vezes eu sou esse vazio que você vê. Seus olhos não se iludem com a minha pose; nunca. E assim, com esse seu distanciamento acadêmico, você enxerga uma lacuna que, ao contrário de outros entendidos de mim, não lhe parece começar no espaço circunscrito ao buraco que há entre as minhas pernas. Talvez termine ali. Começar, no seu entendimento, nunca. Nem no meu.</p>
<p>Minha dor ebule lá de dentro, num oco que fica entre os ossos do tórax, encaixado nos pulmões. E é por isso que tem horas que me falta o ar. Respiro mal faz tempo. Tenho umas vertigens loucas quando o sangue me ferve, e você sabe, porque meio lastimando meio escandalizado, você viu. E notou que eu sei bem engolir as lágrimas, que eu sei sorrir na adversidade. Eu aprendi tantas coisas nos últimos anos, não foi?</p>
<p>Cinismo, eu aprendi o cinismo. Um cinismo tão bem elaborado que ficou natural. Eu gosto de me sentir acima disso tudo. Mas me mata, e sei que você sabe porque eu sei que você me ama desse único amor verdadeiro que é o amor fraternal e eu percebo nos seus olhos esse amor quando eles me censuram por eu merecer mais que isso. Nem sempre a gente quer o que merece. Devia, mas nem sempre a gente quer o que merece.</p>
<p>Se eu fosse querer o que eu mereço (ou acho que mereço) eu ia querer tanta coisa! Eu acho que eu mereço muito. Mas eu só quero o que eu quero. E se eu mereço mais do que eu quero e o que eu quero é menos do que eu mereço, me parece tudo deveria ser mais fácil mais, como se eu merecesse um milhão e só quisesse cem. Números são sempre tão simples. Números são ou não são. Pessoas são variáveis complexas, amigo. A gente acaba achando que entende mas nunca tem certeza. Pessoas são aquele x que vai de menos infinito a mais infinito. É difícil ser gente na maior parte do tempo. Mais difícil ainda é ser humano.</p>
<p>A humanidade é a certeza da imperfeição, uma consciência de não ter nada sob controle. O que você viu quando meus olhos umideceram sob as lentes, foi só a minha humanidade se manifestando, precipitando.</p>
<p>Eu ainda sou um ser humano um pouco mais suscetível que você, porque eu tenho em mim poesia demais. A poesia em excesso faz mal a saúde porque o poeta não se satisfaz em ser humano, ele quer não ter o sentimento, mas ser. E ser o sentimento é sofrer das mazelas que a humanidade nos impões duas vezes. E ser poeta não é uma escolha, a gente nasce assim, com um olho meio cor de rosa ou cinzento. Eu vejo cor-de-rosa, e no meu mundo cor-de-rosa, ainda vai chegar o dia em que vão trazer flores para mim. O problema é o muro, amigo. Pois existe um muro entre as cores do dia-a-dia e as cores da poesia. E eu já não sei quando posso transpô-lo.</p>
<p>Meus dias de solidão são na verdade esse outro lado do muro, o lado em três cores. Esse abismo sobre o qual eu balanço os pés agora. Eu vejo tudo, amigo, eu vejo tudo lá em baixo. Mas se eu pular para o lado de lá, eu não volto para o lado de cá, porque a poesia é um muro baixo, e a verdade é bem mais profunda, é um poço de águas turvas. A realidade é sempre tão assustadora que é difícil de mergulhar&#8230;</p>
<p>Não tenha pena de mim. Não tema por mim. Eu não sou mais triste nem mais feliz que ninguém. Eu oscilo. Eu oscilo como oscila todo ser humano: ora cansaço, ora euforia.Também não acredite que eu vivo vazia por não saber materializar o amor. Eu tenho um mundo de amor latente em mim que é o que preenche, que é muito mais amor que se pode imaginar caber no meu corpo pequeno.</p>
<p> Eu levo em mim um rio bravo e caudaloso, que ainda não encontrou a sua foz.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Jan 2011 03:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Breno, Você vai perceber que você não é mais o mesmo porque agora você é muito mais que o que era. O lado duro de voltar é não ter mais como se esconder, como inventar uma felicidade DDI &#8211; está todo mundo vendo, não é fácil iludir quem gosta da gente assim, tete-a-tete. Logo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido <a href="http://brenopessoa.wordpress.com/"><span style="text-decoration: underline;">Breno</span></a>,</p>
<p>Você vai perceber que você não é mais o mesmo porque agora você é muito mais que o que era. O lado duro de voltar é não ter mais como se esconder, como inventar uma felicidade DDI &#8211; está todo mundo vendo, não é fácil iludir quem gosta da gente assim, tete-a-tete. Logo você deixa de tentar, acredite. Por outro lado, lhe digo: o que nos fazia &#8220;just an ordinay being&#8221; lá, aqui vira holofote, confete e queima de fogos. E no gozo indescritível desse carinho no ego tão massacrado pelos anos de transparência e anonimato, a gente percebe que aquela Cidade tem um jeito cruel demais de nos tornar alguém particularmente interessante quando voltamos para casa.</p>
<p>Essa Cidade aqui também sabe ser cruel quando quer, mas tanto fez que acabou me seduzindo de um jeito diferente. Eu ainda tenho vontade de outras Cidades, porém hoje me pego sempre pensando em tíquetes de ida e volta.</p>
<p>Acho que a Paulicéia pode sim lhe ganhar. Apostaria se eu fosse de apostar.  E digo mais: se você lhe der uma chance , pode acabar descobrindo que ainda que ela não seja para casar, a danada beija muito bem.</p>
<p>Seja bem vindo, amigo!</p>
<p>Beijos,</p>
<p>Ana</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 21:08:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Breno, Andei lendo suas palavras e me senti na obrigação de lhe dizer que o mundo virtual é simplesmente, O Mundo. O muro caiu faz tempo. Resta-nos aceitar e falar sobre as nostalgias do tempo em que carregávamos no corpo uma paciência natural, sem percebermos que era ela um dom; um dom tão simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido Breno,</p>
<p>Andei lendo suas palavras e me senti na obrigação de lhe dizer que o mundo virtual é simplesmente, O Mundo.  O muro caiu faz tempo. Resta-nos aceitar e falar sobre as nostalgias do tempo em que carregávamos no corpo uma paciência natural, sem percebermos que era ela um dom; um dom tão simples que não precisava de aprendizado, nem desenvolvimento, nem concentração.</p>
<p>Engano-me, de tempos em tempos, esperando que o correio me traga os artigos chineses de noventa e nove centavos que compro pelo Ebay.</p>
<p>Beijos,</p>
<p>Ana</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Bilhetinhos</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 03:40:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Barata]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;No momento em que a gente aceita o coração do outro na mão, a gente aceita a responsabilidade de cuidar dele, primo&#8230; Às vezes eu acho que meu coração é uma batata-quente.&#8221; (conversa com o primo Ivan, via Facebook) &#169; 2010, ana. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;No momento em que a gente aceita o coração do outro na mão, a gente aceita a responsabilidade de cuidar dele, primo&#8230; Às vezes eu acho que meu coração é uma batata-quente.&#8221;</p>
<p>(conversa com o primo Ivan, via Facebook)</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2010, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Dec 2009 02:43:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Márcio, tenho um segredo que queria que dividir com você antes que as outras pessoas se deem conta e comecem a comentar à boca pequena. Bem, eu não sei ao certo quando aconteceu, mas eu criei raízes. (Volto em março com sonhos novos em folha e, se Deus quiser, linhas boas para você filmar.) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido Márcio,</p>
<p>tenho um segredo que queria que dividir com você antes que as outras pessoas se deem conta e comecem a comentar à boca pequena.  </p>
<p>Bem, eu não sei ao certo quando aconteceu, mas eu criei raízes.</p>
<p>(Volto em março com sonhos novos em folha e, se Deus quiser, linhas boas para você filmar.)</p>
<p>Luv,<br />
Ana</p>
<p>PS: Tenha seu celular com você no Natal. Vou ligar! xxx</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2009, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Dear Mr. B</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 23:01:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Não se desculpe, querido. Nem crie nenhuma desculpa para não ter vindo ao meu encontro. No fundo, é curioso que ao saber de que nos faltaria um escriba, eu tenha pensado logo em você que está aí tão longe. Não sei o que me fez acreditar que você largaria a Cidade quando ela já está [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não se desculpe, querido. Nem crie nenhuma desculpa para não ter vindo ao meu encontro. No fundo, é curioso que ao saber de que nos faltaria um escriba, eu tenha pensado logo em você que está aí tão longe. Não sei o que me fez acreditar que você largaria a Cidade quando ela já está tecnicamente a seus pés – você ainda não notou?</p>
<p>Primeiro eu tive uma sensação de que o tinha feito movida por algum tipo de inveja, e logo me senti muito envergonhada de mim mesma. Tem dias que eu sinto muitas saudades daí, mas são umas saudades estranhas. Os dois anos que já se passaram desde o meu retorno parecem dois dias, dado o frescor e sinestesia das memórias. E, ao mesmo tempo, sinto como se tivesse inventado tais memórias. Eu não estava feliz aí, meu amigo, mas eu faço soar como se houvesse estado.</p>
<p>Num sacudir de cabeça, essa sensação passou e eu entendi que não estava simplesmente lhe atiçando para ocupar o lugar do escriba que partia; eu precisava muito de alguém habitando aquela casa que falasse, ainda que eventualmente, a minha língua. Na hora que eu vi que eu era o último infante na batalha diária pelo valor de se contar uma boa história, eu quis reforços. E aí, eu automaticamente quis você e lhe mandei aquela mensagem. Por favor, me perdoe se revolvi suas questões e se minhas razões foram egoístas. Até o receber de sua carta estava tentando me iludir, jurando que na hora que escrevi aquelas palavras para você, eu estava tendo um pensamento transatlântico e que, instigado por essa telepatia, aquele “Tem vaga pra redator aqui, afim?” escorregou furtivamente pelos meus dedos alcançando o teclado.</p>
<p>(A boa nova é que já marquei a nova data para desbravar a Grande Maçã – parto no dia 2 de Janeiro. A brincadeira de aprender a escrever imagens começa dois dias depois. Você tem seis meses para avaliar com carinho a idéia de se juntar a mim nessa empreitada.)</p>
<p>Sobre São Paulo&#8230; Ah, São Paulo é tão possível quanto qualquer outra Cidade. Dias e noites, frios e calores. Romances que nunca duram, ou se eternizam. Carros blindados e mendigos. Homens bem e mal vestidos. Mulheres naturais e feitas em laboratório. Momentos em que a gente se sente tão em casa que quase se dissolve no ar. Outros, em que, de tamanha repulsa, mal conseguimos encostar os pés no chão ao levantar da cama.</p>
<p>Criei uns artifícios para que me doesse menos o processo de fixar raízes: arrumei a casa do meu jeito, providenciei prateleiras para os meus livros, adotei uma gata. Manipulei a atitude de viver &#8211; ou de achar que estou vivendo &#8211; para que na hora que o vento soprar eu tenha algo mais em que pensar além de nessa minha curiosidade infinita pelo mundo. E gastei uma fortuna num bom curso que me ensinasse coisas que eu quero saber e saciasse essa minha vontade de outras Cidades pelo menos por um tempo.</p>
<p>Devo lhe segredar algo: ando desconfiada que não existem várias Cidades, <a href="http://orapazdacasabranca.blogspot.com">Breno</a>. Ou que, se existem, cada ser humano tem a sua: única, pessoal e intransferível. Eu sou o código postal da Cidade que me habita, você o da sua.</p>
<p>Se elas forem realmente impossíveis, é possível que nós também sejamos.</p>
<p>Um beijo. Curta o verão por mim.</p>
<p>A.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2009, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>DHL</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 03:39:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ah, Breno&#8230; Não sei bem se se fico triste ou feliz de que sua vinda seja passageira. Mas desejo que o sol da Bahia lhe colora a pele com a mesma intesidade das cores que percebo em suas frases tranquilas. Sei lá, acho que esse cara que me escreve não é mais aquele que beijava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, <a href="http://orapazdacasabranca.blogspot.com" target="_blank">Breno</a>&#8230;</p>
<p>Não sei bem se se fico triste ou feliz de que sua vinda seja passageira. Mas desejo que o sol da Bahia lhe colora a pele com a mesma intesidade das cores que percebo em suas frases tranquilas. Sei lá, acho que esse cara que me escreve não é mais aquele que beijava paredes. E sem café -  aqueles de ontem e esses de hoje &#8211; eu nunca vou ter certeza. Não sei se fico feliz ou triste que você esteja de passagem porque não resolvi se prefiro a tangibilidade das xícaras ou a natureza aeriforme das palavras.</p>
<p>Tenho a impressão que estamos sentindo algo parecido e que nada tem a ver com a Cidade, seja ela qual for. Eu também sinto essa completude, essa posse de mim.</p>
<p>Não sei se fico feliz ou triste que ainda não seja dessa vez que vamos discutir as questões da alma com algumas doses de cachaça boa. Mas desejo que as Cidades tenham ainda muitas coreografias para lhe seduzir.</p>
<p>Beijinhos,</p>
<p>Ana</p>
<p>Ps: Quem sabe não tomamos um pint de Hooegarten no próximo verão?</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2008, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Sedex 10</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 03:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Breno, um sorriso brotou na minha cara quando eu li que você volta. Mesmo sem saber se essa era mais uma de suas ficções verdadeiras. Espero você na Paulicéia. Não me esqueci que lhe devo um café. Beijos Ana &#169; 2008, ana. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://orapazdacasabranca.blogspot.com">Querido Breno</a>,</p>
<p>um sorriso brotou na minha cara quando eu li que você volta. Mesmo sem saber se essa era mais uma de suas ficções verdadeiras.</p>
<p>Espero você na Paulicéia. Não me esqueci que lhe devo um café.</p>
<p>Beijos<br />
Ana</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2008, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Post-it</title>
		<link>http://www.anamangeon.com/blog/2008/07/16/post-it/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=post-it</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 19:10:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Breno, descendo do telhado do prédio onde eu fumei um cigarro ao sol &#8211; apenas um apesar da vontade de maço inteiro &#8211; lembrei-me de lhe dizer que solidarizo com sua dor de escriba e com a revolta com os telefones de mau timming. Eles também tocam aqui from time to time pra insinuar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://orapazdacasabranca.blogspot.com">Querido Breno</a>,</p>
<p>descendo do telhado do prédio onde eu fumei um cigarro ao sol &#8211; apenas um apesar da vontade de maço inteiro &#8211; lembrei-me de lhe dizer que solidarizo com sua dor de escriba e com a revolta com os telefones de mau timming. Eles também tocam aqui from time to time pra insinuar que eu ainda tenho escolha.</p>
<p>Estive com o livro que você me deu nas mãos na hora do almoço. Sim, eu estou economizando o livro. Li um conto. E cada conto que eu leio me faz acreditar que eu amo um amor pra lá de clichê. E que existem muitas pessoas que conseguem ser ainda mais clichê que eu.</p>
<p>Não sei se beijar mais que escrevemos seria assim bom.<br />
Talvez, devêssemos começar a beijar como.</p>
<p>Beijos,<br />
A.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2008, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Sedex 10</title>
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		<pubDate>Sun, 11 May 2008 03:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ai Breno&#8230; Sua carta me pegou de surpresa. Chegou intempestiva e com uma sinceridade dolorosa que me fez pensar no quanto eu mereço lhe ver assim, de alma nua, quando nos privei de tantos possíveis cafés onde essas coisas relativas ao amor poderiam ter sidos discutidas mais aprazivelmente. São muitos os dias em que eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ai <a href="http://orapazdacasabranca.blogspot.com">Breno</a>&#8230;</p>
<p>Sua carta me pegou de surpresa. Chegou intempestiva e com uma sinceridade dolorosa que me fez pensar no quanto eu mereço lhe ver assim, de alma nua, quando nos privei de tantos possíveis cafés onde essas coisas relativas ao amor poderiam ter sidos discutidas mais aprazivelmente. São muitos os dias em que eu me vejo relembrando cenas londrinas e uma delas é sempre eu atendendo um telefonema seu ao descer as escadas para a estação Hyde Park. Dizendo hoje não dá e permitindo o espírito prefir o cansaço à vontade de dançar.</p>
<p>Eu sei sim dos romances aos quais você se refere. Não vejo bem como fraqueza, mas às vezes não resisto à idéia de maldição. Não sei se você tem disso também, mas não são raras as situações em que eu me pego pensando bastante sentida em como se eu sou assim tão foda como dizem, nenhum deles fica? Mas logo depois eu entendo que sou eu quem não os deixo ficar. Os amores inventados são mais bonitos, embora machuquem igual. E se a gente quiser, eles não precisam ter fim.</p>
<p>Me surpreende que você se sinta derrotado, logo você que vai vencendo a Cidade à unha. Não desistir já é uma vitória. Eu admiro seus papers, suas palavras e cada dia que você contabiliza. Queria ter tido a sua força.</p>
<p>Curioso como eu dou uma impressão errônea de mim no que eu escrevo. Acho que essa sensação de força vem da minha sinceridade, mas ela é defesa. É uma esperança boba de que sabendo como eu me sinto ninguém me machuque. Não dá muito certo, as pessoas gostam de cortar o rabinho da lagartixa pra ver se ele se mexe sozinho de verdade. A curiosidade acaba sendo, quase sempre, maior que a misericórdia (Sobre meus olhos, deixo Erikah Badu falar por mim. Procure pela canção chamada Green Eyes, ok?) Engraçado como as suas personas e o meu eu escancarado nos levam ao mesmo espaço ocupado pelo nada. Isso se minha sinceridade não for também uma persona.</p>
<p>Entendo também muito bem o que você fala sobre os romances, os escritos, digo. Os escritos por nós. Lembra daquelas 3 páginas que lhe mandei? Pois é. Vitória Régia continua lá congelada com o telefone na mão. Nós não somos mais a mesma pessoa e agora eu não sei o que fazer com ela.</p>
<p>Confesso que fiquei com uma certa dó quando li o comentário que você me deixou. Fiquei me sentindo como se tivesse sem querer cravado o dedo numa ferida sua ao expôr as minhas. Rascunhei várias cartas, mas não soube como lhe dizer que no final das contas, o amor dos livros é ganhar na roleta apostando em um só numero. Na vida real, é hábito, tolerância, rotina. E me incomoda que na prática o amor pareça muito chato. Aí, eu invento, nós inventamos. E é nessa que nos entregamos às paixões, procurando uma alquimia que as torne isso que buscamos. Minhas fórmulas sempre explodem: eu saio queimada, e os caras fugidos. Não sei como andam as suas, mas se um dia funcionarem, espero que você me passe a receita.</p>
<p>Sentir-se especial é só uma questão de abrir os olhos quando na frente dos espelhos bons.(Serão os espelhos ou nossos olhos que nos distorcem?). Eu acho que você topou com um dos bons e ele lhe mostrou esse menino. Esse menino não tinha todas essas marcas e sorria.</p>
<p>Não acho mesmo que você esteja andando para trás. Nem assim tão perdido quanto pensa. Minha experiência diz que todas as vezes que nos esforçamos para sermos maduros acabamos soando forçados, distantes, frios e infantis. A maturidade deve ser espontânea, acho. Não tenho certeza sobre isso.</p>
<p>Ver e viver será sempre um prazer entristecedor. É penosa essa certeza de que nunca seremos capazes de provar &#8211; e comprovar &#8211; tudo. Fiquei pensando na frase de Camile Claudel esses dias, define bem o que eu sinto. E me ocorreu que essa ausência não é como uma úlcera que possa ser cauterizada e cicatrizar. Na nossa alma, Breno, mora um buraco negro faminto, que vai sugando tudo que a gente vê, conhece, prova e sente. O que a gente vive desaparece dentro dele e a fome nunca é saciada. Mas a gente tem opção: podemos procurar novas fontes ou simplesmente relaxar e deixar que ele nos sugue nos virando do avesso.</p>
<p>Vai, Breno. Liberta esse menino. Adoça esse adulto! Eu também não me lembro de como eu era antes do mundo grudar em mim mas, ainda assim,tenho certeza que hoje nós somos mais bonitos e mais completos apesar de todo esse vazio.</p>
<p>A gente sempre pode escolher como chamar essas marcas que carregamos, amigo. Só quem as têm pode se dar ao luxo de um dia fazer drama chamando de cicatrizes. E noutro posar de cool dizendo que são tatuagens.</p>
<p>Ah Breno, temos tanto repertório. Poderíamos ser qualquer coisa!</p>
<p>Por que caralho então a gente nunca decide ser feliz?!!!</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2008, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>A questão do livro que o Rapaz de All Star Azul me deu</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 02:59:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O dia começou às dezessete horas e trinta e um minutos. Primeiro um bocejo e depois checar os e-mails – como se alguém fosse mandar e-mails num sábado. Pois é. Alguém havia mandado. Alguém me pedia perdão pelas palavras agressivas ditas há mais de seis meses. Não queria me ofender. Ele tem ciúme e ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O dia começou às dezessete horas e trinta e um minutos. Primeiro um bocejo e depois checar os e-mails – como se alguém fosse mandar e-mails num sábado. Pois é. Alguém havia mandado. Alguém me pedia perdão pelas palavras agressivas ditas há mais de seis meses. Não queria me ofender. Ele tem ciúme e ainda me ama. Eu morro de pena e preciso de um banho. Meus cabelos estão desalinhados e eu cheiro a minha própria baba. Não vou responder, como de costume.</p>
<p>Convenço minha amiga a sair para comer uma pizza. E a gente fala de assuntos novos e velhas mazelas. Ela acha que eu devia escrever um livro sobre os meus amores tortos. Ela acha que eu atraio loucos, enquanto eu acredito que sou eu quem os procuro. Eu gosto de pepperoni, ela de frango com catupiry. E a moça de preto na mesa da esquerda insiste em flertar comigo para meu desânimo. Lembro de uma frase de outra amiga, e rio. Ela diria: Linda, eu gosto é de pau no útero. Certas frases são de uma sinceridade tão ruborizante, que não tenho coragem de dizer. Baixo a cabeça, e deixo minha opção sexual implícita no gesto.</p>
<p>No caminho de volta para casa, um garoto de programa me pede um cigarro. Eu não tenho, mas lhe ofereço um pedaço de brownie, que ele educadamente recusa. Logo depois, ele entra em algum carrão prateado e desaparece. Eu desço a ladeira, eu toco a campainha e o porteiro abre o portão. Eu subo de escadas e abro a porta. Eu tenho trabalho a fazer, mas não sei como. Eu tenho vontade de ligar e pedir a companhia que eu queria agora.</p>
<p>Mas aí chega outro e-mail, naquela maldita língua sedutora. Eu deleto sem ler para não cair outra vez na tentação de me permitir ser amada sem amor para dar em troca.</p>
<p>Desligo o computador. Não há nada que preste na televisão. O título do Carver que o <a href="http://orapazdacasabranca.blogspot.com">Breno</a> me mandou parece uma pergunta:</p>
<p>-Sobre o que a gente fala quando fala de amor?</p>
<p>Recupero da lixeira o e-mail, só para descobrir que eu não sei. E que talvez nunca vá saber. Não porque não exista uma resposta, certamente há e talvez ela seja simples. Mas eu tenho medo de acabar descobrindo que amor nada mais é do que o nome genérico para um bouquet de outros sentimentos menores, e concluir que o amor, em si, simplesmente não é. Ele não é um ente. Ele não existe.</p>
<p>Saber desmistifica as coisas, inclusive o amor.<br />
E quando se trata de amor, eu ainda prefiro o mito.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2008, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>DHL</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Feb 2008 04:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Querido Breno, Conversava com um amigo escocês, quando ele me interrompeu no meio de uma frase dizendo “sorry, I gotta go sleep. it’s 1 a.m. happy valentines, sweetheart!” Eu respondi aquele “happy valentines, huni” automático, resgatando um sotaque que não demora muito, eu perco. Foi quando, de súbito, percebi que pensava em você. Em como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://orapazdacasabranca.blogspot.com">Querido Breno</a>,</p>
<p>Conversava com um amigo escocês, quando ele me interrompeu no meio de uma frase dizendo “sorry, I gotta go sleep. it’s 1 a.m. happy valentines, sweetheart!” Eu respondi aquele “happy valentines, huni” automático, resgatando um sotaque que não demora muito, eu perco. Foi quando, de súbito, percebi que pensava em você. Em como será que a Cidade vai tratar você amanhã (aqui ainda são 11:35) de manhã.</p>
<p>Irá ela lhe dar um dusk menos frio e um despertar com gosto de capuccino do Starbucks? Estará em Picadilly Circus, a moça coreana cantando macio para lhe afagar os ouvidos ou, em Euston, o acordeón do argentino soando um tango allegro para apressar seu coração?</p>
<p>Acabei torcendo para que você passe o dia muito concentrado nos seus papers. Muito busy like hell. Extremamente on a hurry. Fiquei lembrando de outros valentines nem tão funny, e lhe desejei uma menina linda que segure a sua mão no cinema e reclame do sotaque da Fernanda Montenegro. E um jantar honesto para variar do tuna sandwich. E um descer de escadarias esbaforido arrastado pela mochila. E dois lugares vagos naquele último trem, aquele decorado com gente kitsch e movido a love bubbles and sighs.</p>
<p>Foi pensando no trem, neste mesmo trem que ano passado me levou os últimos brios e o tesão pela Cidade, que me veio o impulso de lhe mandar este pacote, que eu espero muito que chegue a tempo. No frasco metálico, com cheiro de Irn-Bru e cor de Ribena, vai um velho elixir de família que serve para embriagar a razão e dar coragem de libertar a alma.</p>
<p>Beba um gole caso a coreana esteja rouca, ou se esgotem os bilhetes para o cinema. Caso você tenha que viajar de pé, ou se pegue misturando maionese com atum.</p>
<p>Beba um gole se a noite estiver fria demais, se você precisar de meias. Ou se o sono, simplesmente, não vier.</p>
<p>E vire sem dó o frasco todo goela abaixo, se você sentir muita vontade de comprar um balão metálico em forma de coração e presentear alguém.</p>
<p>Happy Valentines, ma friend!<br />
Luv,<br />
Ana</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2008, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Sep 2007 23:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Márcio, Tenho lhe espiado pelo buraco da fechadura, mas não estou segura que é você dentro da casa. Vejo um rapaz. E Alikan. Vejo um rapaz na sala, sentado no tapete de sisal que se converte em tranças louras e depois em papel crepon azul. Ele conta estrelas num ábaco dourado. Ele não abre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Querido Márcio,</strong></p>
<p>Tenho lhe espiado pelo buraco da fechadura, mas não estou segura que é você dentro da casa. Vejo um rapaz. E Alikan. Vejo um rapaz na sala, sentado no tapete de sisal que se converte em tranças louras e depois em papel crepon azul. Ele conta estrelas num ábaco dourado. Ele não abre as janelas, nem mesmo a da varanda que dá para o quintal.</p>
<p>As folhas estão secas e se desfazem alimentando a terra. A terra está coberta por jambos muito púrpuras, que o passarinhos vêm bicar em busca de algum açúcar. O som de água corrente que não sei ao certo se é o poço em enchente ou se são os lençóis de seus olhos pequenos a correr frouxos pelo assoalho de madeira de lei, a desaguar no piso de chão, a me matar a sede nas horas que, incógnita, eu juntos as mãos e bebo dessa sua poesia melancólica.</p>
<p>E ainda que seja morna, é água muito boa.</p>
<p>Beijos,<br />
Ana</p>
<p>Ps: Espero que Marisa não esqueça de nos trazer ungüentos para a alma.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2007, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Sep 2007 13:49:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Bilhetinhos Márcio, curiosa, dei uma passada em frente de casa, e vi que você a olhava, diante da porta, indeciso, um pé a entrar, outro não. E aí me vi refletida em uma janela que não era janela e lembrei de te dizer que o varal continua estendido. O farol, sem lâmpada, é outro. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Bilhetinhos</strong></p>
<p><a href="http://acasainvisivel.blogspot.com">Márcio</a>,</p>
<p>curiosa, dei uma passada em frente de casa, e vi que você a olhava, diante da porta, indeciso, um pé a entrar, outro não.</p>
<p>E aí me vi refletida em uma janela que não era janela e lembrei de te dizer que o varal continua estendido. O farol, sem lâmpada, é outro. O prédio nâo tem mais varandas. As roupas são as mesmas.</p>
<p>Mas eu uso sabão em pó mágico que lhes preserva a cor sempre viva.</p>
<p>Uma boa semana para você, querido!</p>
<p>Ana.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2007, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jun 2007 15:31:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[Idas e Vindas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Marcio, Um belo dia , tomei a ponte aérea para ir te ver. Era um vôo desses promocionais. Sabe, como são esses vôos, não é? Cheios de escalas. Primeiro ele parou em Paris, reabasteceu e foi pra Genova e de Genova para Milão. E aí, voltou ao Rio. Pensei em desembarcar, mas quando soltei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido <a href="http://parachutes.blogspot.com">Marcio</a>,</p>
<p>Um belo dia , tomei a ponte aérea para ir te ver. Era um vôo desses promocionais. Sabe, como são esses vôos, não é? Cheios de escalas. Primeiro ele parou em Paris, reabasteceu e foi pra Genova e de Genova para Milão. E aí, voltou ao Rio. Pensei em desembarcar, mas quando soltei o cinto ele decolou para Lisboa e de lá pra Londes e de lá pra Glasgow e de lá para Paris e Londres de novo e Buenos Aires e Rio. Chamei a comissária e perguntei: que porra é essa? Primeiro me disse q ficamos sem teto, depois culpou os controladores de vôo. E me deu uma garrafinha de água e uma barra de cereal.</p>
<p>E o avião partiu e depois de duas horas eu vi São Paulo passando por nos lá em baixo. Hey, hey, piloto !!!! Meu ponto é aqui!!!!</p>
<p>Bem amigo, as pistas de Congonhas estão em obra. Pousamos em outro lugar. Saltei correndo sem nem pegar a bagagem antes que essa nave louca me levasse outra vez.. Chego sem dinheiro nem presentes. Com a roupa do corpo e uma alegria de quem tem sonhos novinhos em folha.</p>
<p>Posso te pedir uma ajuda? Preciso que você me prepare um chá de capim limão e mel bem quente pra me livrar de uns velhos males que eu vinha inspirando.</p>
<p>E que me explique porque a gente precisa ir tão longe pra descobrir que, talvez, a Liberdade fique logo ali na casa do lado.</p>
<p>Beijos<br />
Ana</p>
<p>Ps: eu adoro suposições otimistas. e você?<br />
Ps2: te ligo assim q comprar um celular paulistano! prometo ser breve!</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2007, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2007 21:42:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Márcio, passei na sua sala mas você não estava. Escrevi uma mensagem na sua caneca de café com marcador. Diz assim, em letra de mão: Paulinho da Viola sempre tem razão! Mando esse bilhetinho no caso de você não reconhecer mais minha grafia. E se o café estiver com gosto estranho, me perdoe. Não resisti. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://parachutes.blogspot.com">Márcio</a>, passei na sua sala mas você não estava. Escrevi uma mensagem na sua caneca de café com marcador. Diz assim, em letra de mão: Paulinho da Viola sempre tem razão!</p>
<p>Mando esse bilhetinho no caso de você não reconhecer mais minha grafia. E se o café estiver com gosto estranho, me perdoe. Não resisti.</p>
<p>Foram três gotinhas de um bom rum cubano que eu ganhei de um pirata bonito nas minhas voltas pelo mundo. E uma lágrima antiga mas ainda boa, que eu chorei ao me despedir, enfim, de Marco Pólo.</p>
<p>Ana</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2007, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Royal Mail</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2007 00:59:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Breno, Foi-me necessária uma bela dose de ar fresco e uns dois ou três lenços de papel. Então eu coloquei o notebook no colo e busquei coragem para uma resposta. Sim, uma resposta requer coragem, pois futucar os porquês de uma decisão quase irracional como foi a minha de deixar a Cidade sem ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://orapazdacasabranca.blogspot.com">Querido Breno</a>,</p>
<p>Foi-me necessária uma bela dose de ar fresco e uns dois ou três lenços de papel. Então eu coloquei o notebook no colo e busquei coragem para uma resposta. Sim, uma resposta requer coragem, pois futucar os porquês de uma decisão quase irracional como foi a minha de deixar a Cidade sem ter rumo acaba por remexer nas areias lodosas da minha alma.</p>
<p>A verdade é que nunca teve nenhum idealismo nas minhas partidas. E o único objetivo era um objetivo adolescente e por isso muito bobo. Eu queria somente estar em movimento e provar das coisas boas e ruins do mundo meramente para saber classificar-lhes o gosto e o cheiro. E eu queria esquecer um amor que doía muito mais do que trazia bem-estar. E eu estava indo bem nesse propósito. Lá, na terra dos homens de saia, com todos os reveses, eu tinha encontrado algo novo que eu só percebi que tinha achado quando notei que tinha perdido: paz.</p>
<p>Eu estava indo muito bem, Breno, até que eu desejei a Cidade e a Cidade, essa oferecida, me escancarou vulgarmente as pernas, me bajulou, me prometeu. E eu caí na conversa da Cidade. Caí feito uma pata no papo do hotel de luxo, no meu uniforme desenhado por Paul Smith, nos 20000 pounds por ano que ninguém me disse que não pagariam com muita folga minhas contas e me fariam abrir mão de meus pequenos porem indispensáveis prazeres e confortos. Eu amei a Cidade com tanta intensidade que não pude ver a cidade só me comia. Porque a cidade, a cidade era a musa e eu me via tão bem na foto com a musa, que eu também me sentia musa estando na foto com ela. Vai me dizer que você não se sente mais bonito com um Hyde Park escrito no caption daquela foto cinza? Mesmo com todo aquele aperto que a gente passa &#8211; que ninguém por aqui acredita – é bonito estar na Cidade.</p>
<p>O entorpecimento durou pouco, vi-me logo embarcando no mesmo desespero que cada um daqueles corpos sem rosto sentia subindo apressadamente as escadas rolantes de Picadilly Circus. Eu preciso SER na cidade. Eu preciso SER na cidade. Eu preciso SER na cidade.</p>
<p>Infelizmente, SER na cidade, quase sempre implica em TER. E eu quis ter quando ter nunca foi o meu forte. E na ansiedade de ter eu fui colocando meus pés pelas mãos aqui e ali. Fui me sonegando alegrias. Fui me ensimesmando mais do que eu já fazia. E a vida agora era acordar na hora de ir pro trabalho, trabalhar e voltar do trabalho.</p>
<p>Não tinha mais cinema, nem chopinho, nem mesmo tinha escolher os musicais que eu não podia pagar e adiar pro mês que vem. A cama ficava desfeita, mas aquelas histórias de amor, isso não tinha. E os mesmo lençóis naquela cama há semanas cheiravam a suor, camomila e mofo. A louça na pia, as unhas por fazer. As bibas do hotel a me perguntar porque eu tinha me descuidado tanto da maquiagem e dos cabelos. &#8211; I’m too tired. I’m too fucking tired.</p>
<p>Um belo dia, minha habilidade de reinventar dias bons de noites ruins vacilou. Eu me olhei e vi que tinha deixado as raízes brancas dos meus cabelos crescerem demais. E vi que minha batalha pela cidade era uma batalha vencida. E eu tinha perdido. E mais que perder a batalha eu tinha perdido a mim mesma na mentira diária de dizer a todo mundo que a Cidade é tão linda e eu estou muito bem aqui. Bollocks! A cidade tinha roubado de mim a minha essência Breno, a tranqüilidade de simplesmente estar e respirar aquela gente, aquela fumaça e me sentir parte. O bom sempre foi o caminho Breno, e as surpresas. Agora eu tinha metas, objetivos, treinamentos de gerencia onde me faziam planejar uma carreira, colocar no papel e assinar. E era tudo mentira. O SVQ: mentira!O MBA: mentira! Be a Executive Housekeeper in 5 years: bullshit! Nada disso eu nunca quis. Era pra inglês e pra brasileiro ver.</p>
<p>Sei, eu não posso te dizer que não é muito talento e vício desperdiçado, porque é. Tampouco que não somos nós o problema, porque somos. E foi isso que eu percebi naquela manha de terça feira, sentada no mesmo lugar de sempre, olhando o anúncio de vitamina dentro do metro. Eu tinha sonhado com o cara que eu devia ter esquecido e soube que não esqueci. E quis. Eu não estava vivendo uma vida mais confortável ou excitante que a eu sempre tive aqui. E quis. Eu não tinha amigos. Eu quis. E eu tinha milhões de metas e nenhum sonho. E quis meus sonhos de volta. Abri um espelhinho de bolsa porque achei que precisava de um pouco de rimmel. Não me vi. E não me vi porque eu não era mais Ana Paula Mangeon. Nem mesmo a Ana Costa em que me transformaram eu era mais. Eu era só mais um corpo minding the door and minding the gap, on and on. E foi assim que quando eu subi a rampa da Hyde Park Córner Station e chovia cântaros, eu não falei, mas me senti como tivesse urrado:</p>
<p>-Sorry London, I had enough.</p>
<p>Não vá pensar que eu notei isso de cara. Nem. Já são quatro semanas de reclusão e lágrimas. O Brasil me causa estranhamento e medo. Na verdade, eu me causo estranhamento e medo. Aqui eu não sou mais o que eu conto ser, e eu acho que esse é o nosso problema. A gente se conta muito bem.</p>
<p>Eu não tenho certeza de muita coisa, mas penso que eu voltei pra bancar essas mazelas e encarar esses fantasmas. A gente desiste de si mesmo sim, você tá certo. Mas eu acho que eu desisti de desistir.</p>
<p>Sei lá, Breno&#8230; Acho que eu tomei coragem de me ser. E vim bancar essa maldita dor, que ainda que pungente também sou eu.</p>
<p>25/04/2007</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2007, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2007 14:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Márcio, Escrevo para lhe dizer que demorou, mas aconteceu. Ou melhor, está acontecendo, pois não posso negar que a novidade, apesar de ter sua beleza, se desvenda um bocado assustadora. Tateio, Márcio. piso de leve como quem desbrava uma escadaria no escuro sem corrimãos onde se apoiar. Degrau por degrau, juntando os calcanhares um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://parachutes.blogspot.com">Querido Márcio</a>,</p>
<p>Escrevo para lhe dizer que demorou, mas aconteceu. Ou melhor, está acontecendo, pois não posso negar que a novidade, apesar de ter sua beleza, se desvenda um bocado assustadora. Tateio, Márcio. piso de leve como quem desbrava uma escadaria no escuro sem corrimãos onde se apoiar. Degrau por degrau, juntando os calcanhares um pouco para não tropeçar nos meus próprios passos, outro tanto para ter certeza dos meus pés e não me meter novamente a querer voar.</p>
<p>Inicio a jornada reversa à jornada que eu já fiz com mais leveza e menos comiseração. Mergulhei em mim nesses anos de aventura e solidão tão profundamente, que cria, que estava definitivamente soterrada no meu intimo que eu nunca mais revelaria a ninguém o que eu verdadeiramente sou. A Ana de verdade embalsamada e uma metáfora existencial de mim circulando por aí.</p>
<p>Essa Ana que rodou para lá e para cá, que escreveu, que amou e desamou: uma Ana que eu fui porque queria ser e não porque eu era. Não quero mais. Eu quero existir naturalmente.</p>
<p>Aconteceu Márcio, aconteceu. E por ter acontecido as palavras rareiam apesar do fervilhar das idéias. Eu tenho que aprender a conectar com as coisas e com as pessoas, pois eu que antes nada via alem de minhas próprias entranhas, me deslumbro com margaridas, cheiro de chuva, as uvas do parreiral improvisado de meu pai, o jeito como minha vizinha pendura as toalhas no varal, a prédio da frente ou uma lua gigantesca no céu que agora é somente a lua gigantesca no céu e não o algoz dos meus mal fadados amores.</p>
<p>Nem te conto , meu amigo: eu estava muito bem lá, deitada, nevava muito e alguém gargalhava do lado de fora da minha janela, o que me fez acordar mal humorada, levantar as persianas e o vidro, e vociferar em meio a algumas palavras de baixo calão: que graça tem isso ? Elas chafurdavam na massa branca compactada, uma neve muito bonita e muito rara por aquelas bandas. Perguntei de novo: que graça tem isso? E uma delas enfim olhou para cima, suspendeu o gorro rosa e amarelo com um pompom lilás no topo da cabeça que lhe cobria os cabelos e parte dos olhos e disse mostrando-me todos os dentes num sorriso: você só vai descobrir se sair do seu pijama e vier ver. Depois tomou uma bolada fria na nuca e saiu correndo, patinhando gritando: vem cá seu safado da moléstia.</p>
<p>Naquele dia, eu que vivia ensimesmada fui cuspida para fora de mim. Eu tentei voltar, mas tinha sido algo como uma erupção, ou um parto. Eu queria saber que graça era aquela que matava a moça de rir, eu queria saber a historia da moça. E não me importava mais o que a risada na moça causava em mim.</p>
<p>E foi assim Marcio, que eu entendi que não podia ficar mais lá. Era fácil viver escondida em mim onde o mundo não me tocava e por isso não me afetava. Era fácil escolher viver sozinha por medo de uma solidão que não fosse opção.   Minhas dores e alegrias era eu quem procurava. Agora não. Eu quero que existência das coisas e das pessoas interfira, altere meu caminho, me surpreenda e  deixe cicatrizes na minha pele e marcas de beijos na minha face.</p>
<p>E no final das contas, meu amigo, foi por isso que eu voltei. Para provar das coisas simples que sempre estiveram muito perto e eu fugia temendo descobrir que não eram elas, para mim.</p>
<p>Para ter as mãos confiáveis dos amigos a me guiar pelos ombros, quando a luz for muita e eu não conseguir enxergar.</p>
<p>Para, enfim, deixar de parecer e começar a ser.<br />
O que quer que eu seja. Seja la como eu for.</p>
<p>Um beijo grande</p>
<p>Ana</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2007, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Nov 2006 19:11:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Marcio querido, As cartas rareiam cada vez mais apesar de tanto a ser dito. Não ando conseguindo, amigo. Vejo dez milhões de coisas das quais eu queria que você soubesse. Componho todos os dias um curta que eu nunca filmo mas que está sempre muito claro na minha mente. Londres tem cenas bonitas que os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://parachutes.blogspot.com">Marcio</a> querido,</p>
<p>As cartas rareiam cada vez mais apesar de tanto a ser dito. Não ando conseguindo, amigo. Vejo dez milhões de coisas das quais eu queria que você soubesse. Componho todos os dias um curta que eu nunca filmo mas que está sempre muito claro na minha mente. Londres tem cenas bonitas que os londrinos não se dão conta. Fico pensando quem serão os londrinos e se eles existem. Londrinos deveriam ser ingleses, não? Não esbarro com muitos, pelo menos não com o estereotipo do inglês.  Certamente são muitos os londrinos que meus olhos não reconhecem porque eu ainda procuro por peles pálidas, olhos claros. Pessoas que falem com ovos na boca. O londrino, acho que é um inglês multicor. Pardo de olhos puxados, negro de cabelo liso, branco de carapinha, sei lá. Mas sei que essa confusão me faz sentir em casa.</p>
<p>Eu gosto das escadas rolantes do metrô. Não de qualquer uma. Gosto daquelas que vão bem auto cheias de anúncios nas laterais. Coloco-me normalmente à direita &#8211; o lado dos que não tem pressa -e fico escolhendo os musicais que eu um dia vou assistir. Decidi que o primeiro há de ser Porgy and Bess, curiosamente o mais caro em cartaz. Só descobri depois que já estava decidido e esse tipo de decisão não tem volta. Eu posso ficar um mês sem fumar e ir. Cigarros custam caro demais de qualquer jeito. E me dão asma. Mas como eu ia dizendo, gosto das escadas que vão bem lá no alto.</p>
<p>Ontem a moça oriental estava cantando em Picadilly Circus. Digo oriental porque não sei de onde ela é. Mas sei que ela canta muito delicado na sua língua natal, tocando um violão de notas simples que combina com sua voz. Eu não entendo nada mas sempre tenho vontade de chorar um choro de cócegas. Fico inventando o que ela canta. Invento que são canções de um amor feliz porque ela parece muito feliz quando canta. Ou canções que falem de primaveras. Sempre passo e jogo uma moeda de 50 pences e fico tentando captar algum detalhe que tenha me escapado. Mas o turbilhão de gente acaba por me empurrar para o lado de fora e eu tenho que tomar cuidado para não acabar na rua em vez de trocar de linha, e ir para casa.</p>
<p>Estou vivendo em Queens Park, que não é o nome do bairro e sim da estação  mais próxima. Nomes de bairro a gente só descobre se tiver que olhar no mapa por alguma razão. O bairro se chama West Kilburn mas esse é um nome que capaz que nem o correio saiba. Tudo se encontra pesquisando pelo código postal. Eu moro em um bedsit, numa conversão vitoriana.  Soa vulgar mas o lugar não é dos piores. Um quarto com uma cama de viúvo, uma pia e um fogão de duas bocas com um forno que não funciona. Banheiro comum para mais 10 bedsits como o meu. Londres faz a gente aprender a se sujeitar ao pouco espaço e aos cabelos de desconhecidos no chuveiro. Coloquei um lençol cor de café na cama e pufes no chão. Falta cor nas paredes, por isso encomendei algo bem colorido a um amigo bom de traços.</p>
<p>Minha janela tem vista para um parque bonito apesar das arvores peladas anunciando o inverno. E no domingo tem crianças barulhentas e esquilos. Bem, esquilos têm todo dia, em toda parte. Muitos pais solteiros desfilando com seus carrinhos e flertando com as moças que fazem exercício.</p>
<p>O inverno chega sorrateiro. Quando a gente se dá conta já se está enrolando em cachecóis de todas as cores para quebrar o preto tradicional dos casacos. E botas. Hoje fez 10 graus, o que não é mal. Ainda não preciso de luvas.</p>
<p>As folhas lá fora se balançam lentamente equilibrando-se, equilibrando-se&#8230; até que, enfim, caem e pousam no calçamento para serem pisoteadas. Ou no ombro da menina loura de chapéu azul turquesa.</p>
<p>Bem, já é tarde. Melhor fechar a janela e deixar o frio do mundo do lado de fora. E fazer um chá quentinho para amornar a alma aqui dentro.</p>
<p>Muitos beijos saudosos,<br />
Ana</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2006, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Correspondência Violada</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Aug 2006 08:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido Marcio, É com a alma em festa que recebo suas palavras com essa certeza de que jamais deveríamos nos habituar a nada, mas uma vez que lho fazemos , jamais deveríamos abdicar dos bons hábitos implementados. Sua carta me trouxe um sopro de candura para alma . Ultimamente, tenho tido essa sensação de estar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido <a href="http://parachutes.blogspot.com">Marcio</a>,</p>
<p>É com a alma em festa que recebo suas palavras com essa certeza de que jamais deveríamos nos habituar a nada, mas uma vez que lho fazemos , jamais deveríamos abdicar dos bons hábitos implementados.  Sua carta me trouxe um sopro de candura para alma .</p>
<p>Ultimamente, tenho tido essa sensação de estar, enfim, me permitindo amadurecer. E quando você fala desse mau jeito para novidades, bem, tenho a impressão de que talvez você esteja passando pelo mesmo processo. Não é que as novidades não existam ou se escondam. E nem é também que nós não as percebamos. O que nos falta é aquela velha excitação, o novo vem, o coração mantém o compasso e diz, ok mais algo com que se acostumar. Sinto-me discretamente ranzinza enquanto mantenho as engrenagens lubrificadas e funcionando. Às vezes acho que falta aquela chave de fenda do cartoon, aquela que faz as molas se estirarem e as roldanas pipocarem pelos ares (quantas vezes eu já não destrambelhei a maquina, não?). Outras a chave de boca para os apertos que mantém tudo no lugar. E outras eu acho que a maquina não me obedece mais.</p>
<p>Você fala dessas coisas de se apaixonar. Apaixonar-me de novo &#8211; tenho que confessar- foi uma novidade. Boa e ruim. Delicada e dolorosa. Ah, Marcio, eu não sei lidar com a paixão. Tão mais confortável amar o meu mesmo amor de sempre e sonhá-lo com os mesmos sonhos todos os dias só que com luzes diferentes&#8230;Pedi-lhe que não me amasse e deu-se que ele obedeceu. E no dia em que voltou para os seus, lá longe, me deu um ultimo sorriso e foi só. E eu entendi que não é que eu não tenha raízes, Marcio. Eu tenho e elas tentam se fixar. São a terra e os corações que não me querem hospedar.</p>
<p>(Penso na minha casa nova. Meus livros e um aquário redondo. Um peixinho dourado que não conheço, mas já batizei de Boêmio. Uma tentativa de burlar a solidão e o &#8216;no pets allowed&#8217;).</p>
<p>Pensei em você ontem quando voltava de minha caminhada dominical até o castelo. Passava das duas e meia, o sol queimava a minha nuca porque aqui a gente nuca dá o credito devido ao calor. Ouvia uma canção do acústico do Cardigans chamada &#8216;you?re the storm&#8217;. Reparei num canteiro de girassóis em flor no qual eu nunca tinha reparado.</p>
<p>Colhi sementes e com elas fiz um ungüento para amenizar as mazelas de nossas almas.</p>
<p>Um beijo saudoso<br />
Ana</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2006, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>ana</a>. All rights reserved. </p>
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