Coletânea de Pensamentos Desconexos

Todos os pronomes são eu;

Arquivo por categoria 'Confissões'

Correspondência Violada

Querido Breno,

Andei lendo suas palavras e me senti na obrigação de lhe dizer que o mundo virtual é simplesmente, O Mundo. O muro caiu faz tempo. Resta-nos aceitar e falar sobre as nostalgias do tempo em que carregávamos no corpo uma paciência natural, sem percebermos que era ela um dom; um dom tão simples que não precisava de aprendizado, nem desenvolvimento, nem concentração.

Engano-me, de tempos em tempos, esperando que o correio me traga os artigos chineses de noventa e nove centavos que compro pelo Ebay.

Beijos,

Ana

1 comment

Sangria

Preciso depurar as loucuras que andam envenenando minha alegria. Sobra ímpeto, faltam as palavras.

Não chega a ser uma dor, mas é um contínuo desconforto.

Fico sempre refém das coisas que sinto e não sou capaz de traduzir.

1 comment

Sobre fins

Então livrei-me finalmente daquela metade ingrata
e deu-se que espantosamente voltei a ser-me inteira.

No comments

Pequena confissão

Estou sentindo falta de escrever aqui.

4 comments

Motivos para escrever

O que me incomoda não é a crítica, mas a pretensão de pensarem que me conhecem quando nem eu mesma me conheço muito bem. Essa mania que algumas pessoas têm de achar que eu escrevo para elas quando eu escrevo para mim. Sim, eu sou egocêntrica e minhas motivações quase sempre egoístas. Até mesmo quando extremamente legal eu sou egoísta – ajudo porque me faz bem, cuido porque me conforta. São raras as vezes em que começo a escrever com intenção evidente de fazer literatura – não posso sequer dizer que alguma vez o fiz. As palavras acontecem. Elas escapam uma a uma e vão se agrupando. Às vezes viram conto, outras poemas. Quase sempre são apenas a minha forma de racionalizar essa angústia constante que viver me causa e não permitir que ela me paralise. Por mais que todos nós tenhamos aqueles dias em que seria bom ir dormir sabendo que não se vai acordar, é preciso continuar vivendo. Se viver fosse opcional, eu escolheria continuar vivendo. Mas gostaria que vez ou outra nos fosse permitido entrar em hibernação.

Olho em volta, observo as pessoas e vejo um mundo que a cada dia me parece valer menos a pena. Aí, quando o peso dessa idéia parece que vai mesmo dobrar as minhas pernas, eu escrevo. E depois aperto aquele botãozinho azul onde se vê a palavra publicar. O peso alivia. Não me sinto diferente dos doidos que saem por aí falando com seus botões; balbuciamos sem nos importar em sermos ouvidos, porque nosso ópio não é atenção em si, mas a sua possibilidade.

Escrevo porque eu percebo demais, entendo demais. Escrevo porque tenho essa sensação de que se eu não der à minha intuição um formato ela pode acabar virando uma loucura e eu ainda não estou pronta para a enorme liberdade que enlouquecer representa.

5 comments

Nó cego

Discretamente, ele iniciou o processo de desfazer os laços criados durante a vida que levou por anos e não quer mais. Ele quer recomeçar. Nada mais justo que ele querer recomeçar. E embora isso me mate por dentro – e ele não assuma – eu também sou um nó cego do qual ele precisa se desprender; agora que ele quer movimento, eu assentei.

Penso nisso sentada em um lugar de decoração exagerada na Broadway, onde, se presente, ele teria pedido um café com leite grande e me perguntado em seguida: chocolate? Penso nele bebericando o chocolate que ele não pediu para mim. Penso que ele agora estaria xingando essa cidade comigo, maldizendo a impossibilidade de todas as cidades do mundo. Eu lhe diria entre um golinho e outro que o Rio de Janeiro também é impossível. E ele me olharia com aquela cara desdém, levantando a sobrancelha direita.

Os nós : dos meus dedos tamborilando nervosamente na mesa, do choro entalado na minha garganta. Existe sim esse nó apertado que contra todos os presságios, ainda nos segura e que eu não consigo desatar. Eu sei que tenho que afiar as facas. Logo chega a hora em que eu vou ter que cortar as cordas e deixá-lo partir.

Vai ser estranho. Eu nunca fui a metade que fica.

5 comments

Fidelidade

Por que é difícil? Simples: porque é uma fidelidade natural. Não tem nada a ver com moral nem convenções sociais. Não é questão de certo ou errado. Não é questão de respeito. É tão difícil sair da concha e conhecer outros machos porque eu me sinto traindo. E aí as pessoas vêm me dizer que eu estou louca; que eu não posso me sentir traindo alguém que não está comigo.

E é aí que está o problema: no momento que eu não tenho a menor vontade de sair com outros caras e saio porque teoricamente é a coisa correta a fazer – é bem provavel que seja – eu me sinto traindo a mim mesma.

4 comments

Cegueira Noturna

Me arrasa essa sensação insistente de que escolher não me machucar implica em escolher não amar – logo agora que o amor, vez ou outra, quase sem querer, me acena como uma real possibilidade.

Ainda me lembro bem de quando eu fantasiava tudo. Fechava os olhos, projetava e meu coracão acelerava numa festa sem hora para terminar. Hoje, eu analiso tudo e me privo da delicadeza de momentos pelos quais esperei por tanto tempo. Sinto-me como a perfeita anfitriã que organiza tudo impecavelmente mas não consegue aproveitar a própria festa.

Não sei se é possível perceber o que se passa comigo: pela primeira vez nos meus 32 anos, amar não me enche de energia. O amor não irrompe em gestos tresloucados de paixão. Questiono-me se posso ainda chamar o que sinto, amor. Ou se por anos batizei meu sentimento com um nome errado. (Terei eu exaurido irremediavelmente meu repertório de quimeras?)

Eu mudei e não sei dizer se isso é bom ou ruim.

Não me reconheço em mim; nessa visão cartesiana de tudo, nessa guarda levantada, no meu pé de apoio fincado no chão. Em que momento amar se tornou essa preparação pra batalha? Quando, eu que sempre fui muralha, comecei a me defender de tudo, assim, tão assutada?

E onde estão todas as mãos que já segurei na escuridão, nessas horas insones em que desabo em lágrimas, completamente cegada pelo medo?

6 comments

Bilhetinhos

“No momento em que a gente aceita o coração do outro na mão, a gente aceita a responsabilidade de cuidar dele, primo… Às vezes eu acho que meu coração é uma batata-quente.”

(conversa com o primo Ivan, via Facebook)

1 comment

São Tomé

Mais uma vez minha humanidade prega suas peças.
Desaponto-me comigo mesma ao perceber minha fé se foi perdendo nas muitas idas e vindas. Eu preciso de provas de amor.

2 comments

Pagina Posterior »

  • Mais de Mim

  • Linked In
  • Trabalhos
  • Facebook
  • Last FM
  • Twitter


    follow anamangeon at http://twitter.com
  • Últimos Posts

  • Categorias

  • Boas Palavras

  • A Casa Invisível
  • Sem Aspas
  • Faz-me (So)Rir

  • Clients From Hell
  • Stuff No One Told Me
  • Luv Luv Luv
  • Assine o Feed

     RSS