Archive for the 'Filosofia Barata' Category
Bilhetinhos
“No momento em que a gente aceita o coração do outro na mão, a gente aceita a responsabilidade de cuidar dele, primo… Às vezes eu acho que meu coração é uma batata-quente.”
(conversa com o primo Ivan, via Facebook)
1 commentDiálogos
- Ana, essa relação de vocês é utopia!!!!
- Lógico que é. Que outra coisa seria capaz de manter dois tontos sonhadores juntos?
Ao Marraschino
Um pensamento fixo, obcecado pelo pouco que falta. Um outro lamentando o tanto que em vão, transborda.
De desencontro em desencontro, vou sofisticando minha receita de incompletude até ser capaz de dar a ela um sabor alegre e artificial de vida.
Não se engane; eu sou como aquelas bolinhas de chuchu que quando embebidas em licor forte, encantam os olhos com doce ilusão das cerejas.
1 commentConstatação
Certos amores não duram mais que a necessidade da certeza de serem ainda amados.
5 commentsO tema
O erro sempre residiu no tema, porque o tema sempre foi ele e minha história com ele não cabe em um único volume. A verdade é que não posso contá-la porque da mesma forma que ela nunca começou ela nunca vai terminar. Essa coisa com ele é um eco ora alegre, ora doloroso, que fica reverberando sem que ninguém mais se disponha a prestar atenção.
Joguei os rascunhos fora e nesse momento me senti profundamente só. E foi assim que compreendi que o meu livro deveria falar de todas as formas de solidão que eu conheço tão bem. As doces. As tristes. Todas essas que se perpetuam independente de companhia, distância, tempo ou sentimentos.
Pareceu-me que a única coisa que realmente entendo é esse não-pertencer, esse que acaba atraindo com a mesma força que depois repele, e que por assim ser, perdura fluindo pelos anos, indiferente ao esmaecer preguiçoso do viço no meu olhar.
Sem se dar conta do tempo tingindo com outras cores meus cabelos poucos.
4 commentsGuardanapos
Essa é a magia das coisas boas: sua volatilidade a nos fragilizar. Tudo é tão perecível. Tatear é o risco que se evapore no calor da espera. Mergulhar a possibilidade da indigestão.
Envolver-nos será sempre essa mesa posta onde são servidos pratos agridoces e mezzo-amaros, receitas que sorridentes provamos mesmo quando sabemos que nunca saciarão a nossa fome.
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