Archive for the 'Poesia' Category
Deixas perdidas
Desligou
dizendo que me adora.
Antes que sentisse pena.
Antes de ter vontade.
Antes que eu lhe segredasse
que o único amor que liberta,
é o amor próprio.
Criptografia
Na intenção negada,
uma vontade contida.
Nos reprimidos verbos,
interpretação e contexto.
No que não dizemos,
a poesia atrevida.
- Tatuei beijos
por todo o corpo
desse texto.
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1 commentCeticismo
Quando peço verdades,
tu me vens com teus dilemas;
E quando quero discurso,
perpetuas teu silêncio;
Mendigo certezas,
tu me dás estratagemas;
Confusa, contento-me
com o que nem sei se tenho.
Preciso saber,
mas não me queres contar.
Quero entender,
mas não tens explicação.
Inconvicto,
tu me deixas muito solta.
E atormentado pela dúvida,
o meu amor te escapa.
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2 commentsRnB
Na sessão de livros de arte, “he is not my man”.
Vendo a banda de jazz tocando na chuva, “he is not my man”.
Tentando não desviar do olhar do moço bonito, “he is not my man”.
E nas cores, na neve, na lama, nas lembranças, no resistir à esperança, “he is not my man”.
No metrô, nas esquinas, na noite, no desconforto da minha cama, “he is not my man”.
E “he is not my man” nas horas doces, nas horas tolas.
“He is not my man” na paz que só encontra comigo.
“He is not my man” dormindo ao meu lado.
“He is not my man” sorrindo, sonhando acordado.
“He is not my man” na hora do apuro.
“He is not my man” quando eu sou seu porto seguro.
Repito para mim, vinte, cem, mil vezes:
(quase me convenço)
He is not my man.
he is not my man.
he is not my man.
Eu sei:
he is not my man…
Mas também sei
(So, I say)
I’m hopelessly his women.
Relógio Antigo
No encontro dos ponteiros
seu badalar me golpeia:
-Sozinha, moça,
toda noite há de ser meia.
Versinho Triste
De meu encontro com todos eles
tiro sempre a mesma lição:
Todo sangue que ferve nas veias hoje
amanhã vira lágrima em erupção.